O Golpe do Cupim

Falta de informação, preços ilusórios e contratos de risco (para o consumidor). Estes três ítens tem contribuído para que empresas fraudulentas e que dizem controlar cupins ganhem dinheiro fácil aproveitando-se do pouco ou nenhum conhecimento que as pessoas têm quando recorrem a esse tipo de serviço.


O golpe funciona da seguinte forma: A Sra. Rosa de Souza (nome fictício) descobre que sua casa foi infestada por cupins, consulta os classificados dos principais órgãos em que estas empresas (normalmente com nomes exóticos) fazem seus anúncios e solicita um dos profissionais para fazer o extermínio. Os técnicos chegam em seu apartamento e após uma inspeção, fazem uma exposição da gravidade do problema reforçando que se nada for feito correrá o risco de perder o imóvel.


Assustada com a possibilidade de ver destruído todos os seus pertences e sem ter pesquisado outras empresas, contrata imediatamente o serviço. Detalhe: o orçamento depois da pré-avaliação, é calculado através do preço por litro de inseticida aplicado, por exemplo: R$48,00 por litro gasto e uma estimativa de consumo de cinco litros de inseticida. De acordo com os locais contaminados, tem-se um valor inicial para o tratamento de R$240,00, durante o trabalho o que se vê são técnicos injetando quantidades generosos de veneno em buraquinhos diminutos encontrados na madeira e vãos da estrutura do imóvel.


Antes do término do serviço um dos técnicos comunica que o tratamento não poderá ser terminado porque a quantidade de inseticida estipulada não dá para ser aplicada em todos os locais, existe muito mais cupim do que eles esperavam e para continuar a descupinização será necessário mais veneno. Ainda preocupada com a destruição do imóvel, a cliente concorda prontamente, e no final, após várias somas e cálculos, o orçamento indica o total de 84 litros de inseticida utilizados e um preço final de R$4.032,00.


Indignada com o tamanho da conta, diz que não vai pagar e pede para que os valores sejam revistos. Após muita briga e ameaças ela consegue que o preço seja reduzido à metade , contente e achando que acabou fazendo um ótimo negócio, termina pagando R$2.000,00. O que a cliente não sabe, é que se fizesse uma cotação com outras empresas, o preço real da descupinização sairia por volta de R$850,00 e o que é pior, provavelmente o trabalho não foi feito de forma adequada.


A história contada é um exemplo de como se processa o golpe e diante de uma cidade como São Paulo, constatamos que a cada dia o número de pessoas que estão engordando a conta bancária dessas empresas é grande. Como entidade que representa o setor, a APRAG (Associação Paulista de Controle de Pragas Urbanas) foi notificada oficialmente sobre esses abusos e já está tomando medidas para garantir os interesses da população. Porém, como este processo é demorado e deve ser submetido aos órgãos públicos competentes, a associação lança uma campanha de esclarecimento, nos meios de comunicação, para fazer valer o código de ética contido no seus estatutos, e espera contar com a colaboração da imprensa.


Por isso, siga sempre alguns procedimentos antes de contratar uma empresa controladora de pragas.