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02/10/2019 - Insetos e carne de laboratório: como seria a alimentação dos humanos em Marte?



Embora os planos da NASA para Marte envolvam viagens de ida e volta, com apenas breves estadias no 'planeta vermelho', algumas empresas espaciais, como a SpaceX, têm a ambição de colonizar e desenvolver uma civilização marciana.


Para isso, um dos principais e mais importantes desafios é alimentar a população humana que futuramente estiver por lá.


Algumas equipes de cientistas já estão estudando meios de produzir alimentos em Marte. Mas, apesar dos avanços nesse sentido, não nos enganemos: não há maneira fácil de criar alimento no planeta vizinho, principalmente para uma grande população. Na verdade, a comida provavelmente será a coisa mais difícil de se produzir em solo marciano, de acordo com Keith Cannon, cientista planetário da Universidade de Central Florida, em Orlando, e principal autor de um novo estudo sobre o tema.


Além disso, as estufas desenvolvidas aqui na Terra simulando o terreno e as condições marcianas foram bem sucedidas, mas por enquanto apenas para alimentar cerca de dúzia de pessoas. Mas se estamos falando de colonizar o planeta, é preciso bem mais que isso. Afinal, o que seria necessário para produzir, em Marte, comida suficiente para alimentar 1 milhão de habitantes?


Para Cannon, as pesquisas atuais sobre o plantio de vegetais não é muito funcional para uma grande população. "Quase toda a pesquisa até agora se concentrou no cultivo de plantas para alimentar os astronautas, mas elas ocupam muito espaço, e em outro planeta, o que significa construir grandes fábricas que precisam ser pressurizadas, aquecidas e iluminadas", disse ele. "Se você deseja alimentar uma grande população em outro planeta, precisa se afastar da ideia de vegetais aquosos e realmente pensar nas enormes quantidades de energia, água e matérias-primas necessárias para produzir calorias suficientes".


Cannon enfatiza o fato de que as pesquisas que simulam o solo marciano para plantações de vegetais não consideraram “fontes alternativas de proteínas". A criação de animais para laticínios e carne em Marte não seria viável a curto prazo, e considera-se o fato de que muitos não pretendem se tornar completamente vegetarianos. Então, para resolver esses problemas, a solução seria fazendas de insetos e carne cultivada em laboratório.


Insetos podem fornecer calorias em uma quantidade proporcionalmente menor de terra, e eles consomem relativamente pouca água e ração, disseram os pesquisadores. Os grilos, em particular, são um dos exemplos mais promissores de insetos comestíveis. Uma farinha derivada deste inseto pode ser adicionada e escondida em muitas receitas diferentes. "Os insetos são o caminho que temos que seguir, se as pessoas puderem superar o fator grosseiro (dessa alimentação)", disse Cannon.


Proteína cultivada em laboratório


Alimentos derivados de células cultivadas em laboratórios também poderiam melhorar a alimentação das pessoas em Marte — e com uma dieta um pouco mais familiar do que insetos. Hoje em dia já é possível produzir desde algas a carne, até mesmo leite e ovos, tudo em laboratório, sem depender de animais de verdade para isso.


Para superar a dificuldade que as estufas de plantações encontrariam no frio marciano, os pesquisadores sugerem túneis iluminados com LEDs de alta resistência para o cultivo de plantas. Os pesquisadores afirmam que essa solução pode ser complementada com a luz solar coletada e canalizada através de cabos de fibra óptica. A agricultura em sistemas hidropônicos ou aeropônicos é possível, mas exigiria que mais objetos fossem enviados para Marte, tais como bandejas, bombas de água e reservatórios.


100 anos de dependência


Os cientistas calcularam o número de calorias que cada pessoa precisaria, em uma cidade marciana de 1 milhão de pessoas, e modelaram o uso da terra, de acordo com uma dieta que inclui trigo, milho, batata-doce, grilos e frangos cultivados em laboratório. A conclusão foi que essa população poderia alcançar a autossuficiência em termos de comida dentro de 100 anos, e seriam necessários cerca de 14.500 quilômetros de túneis com cerca de 3,6 metros de largura. Durante esses 100 anos sem autossuficiência, os habitantes dependeriam do transporte contínuo de alimento terrestre em espaçonaves.


Por fim, Cannon alerta para a importância de avaliar essas questões. Para ele, qualquer um que pense que ainda estamos muito longe de uma tentativa de colonização em Marte e que não é necessário pensar nisso agora, "precisa dar uma olhada séria no que a SpaceX está fazendo - já está construindo e testando protótipos das naves que enviarão os primeiros colonos para Marte".




Fonte: SPACE.COM e Canal Tech