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12/02/2020 - Dengue é muito mais grave que coronavírus, defendem especialistas.



Alvo de muita especulação, o novo coronavírus tem preocupado as autoridades. O Ministério da Saúde, inclusive, reativou o Grupo de Trabalho Interministerial de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional e Internacional, que atuou em situações, como a pandemia de influenza, e agora, no caso do novo coronavírus.


Mesmo com tantos esforços, o infectologista da saúde pública de Três Lagoas - MS, Delso do Nascimento, avalia que a grande preocupação é em torno da dengue. “É muito mais grave que o coronavírus. Vemos focos criadouros do Aedes aegypti no país todo, em todos os bairros de Três Lagoas, por exemplo. A dengue é o que mata brasileiro todo dia hoje. Os casos suspeitos de coronavírus devem sim serem investigados. Mas a dengue é muito mais preocupante que o coronavírus, que sequer chegou aqui”, opina.


Outro especialista, o virologista Maurício Nogueira, da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - SP, afirma que, com as informações atuais, a dengue deve ser o maior problema que Brasil enfrentará neste ano. Ele explica que a circulação de uma nova cepa do vírus, a dengue tipo 2, ao qual a população ainda não está imune, vai acarretar em uma epidemia nacional.


O infectologista Carlos Fortaleza, da Sociedade Paulista de Infectologia, acrescenta que uma vez adquirido um dos sorotipos de dengue, o paciente fica imune àquele tipo específico.

“Uma pessoa pode ter dengue quatro vezes, mas na segunda segunda vez, a tendência de ser dengue grave é maior”, afirma.


Como a população foi muito exposta ao vírus da dengue tipos 1 e 3 nos outros anos, os casos de dengue grave tendem a ser mais frequentes, na avaliação dos médicos.


Nogueira enfatiza que o coronavírus pode vir a ser um problema, mas que “enquanto temos transmissão sustentada apenas na China, nossa maior preocupação é a dengue. Mesmo que o coronavírus chegue no Brasil, até lá teremos uma epidemia de dengue”.


Os discursos dos especialistas seguem a mesma linha de opinião de outras autoridades. Como a do ministro da Saúde, Luiz Mandetta, do secretário de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul, o médico Geraldo Resende, e também da secretária municipal de saúde de Três Lagoas - MS, a médica sanitarista Angelina Zuque. Em entrevista coletiva, nesta semana, o ministro da Saúde declarou que há empenho no trabalho de prevenção ao avanço do novo coronavírus no país. “A gente está trabalhando hoje numa corrida mundial pela vacina e pelo teste rápido, que é feito no consultório, e na busca por medicamento. É muito mais grave a dengue, você tem muito mais chance de morrer de dengue no Brasil, hoje, do que de coronavírus.”


Segundo o infectologista Delso do Nascimento, não é necessário tanto alarde, por enquanto. “Não é a primeira vez que o vírus aparece com esse potencial. Em 2002 ele já causava infecções gravíssimas na China. Em 2010, infecções nas vias aéreas o coronavírus voltou a ser surto. Historicamente, isso significa que já tivemos dois grandes surtos de infecção respiratória. E agora, 2019 um novo surto com risco de uma pandemia, mas não podemos aplicar a ‘teoria do caos’. Já enfrentamos situações semelhantes e devemos repetir as medidas de proteção para prevenção”, conclui.


A mobilização dos poderes federais contra a ameaça do coronavírus ao Brasil mostra que as instituições – leia-se, os seus representantes – são capazes de tomar providências para situações consideradas emergenciais. Com uma celeridade poucas vezes vista em Brasília, o Executivo e o Legislativo definiram os termos da lei da quarentena; o governo preparou uma operação para repatriar da China 34 brasileiros assintomáticos do coronavírus; o Ministério da Saúde atualiza diariamente os números de casos suspeitos; a pasta liberou R$ 140 milhões para compra de insumos contra a doença; orientou as secretarias estaduais na prevenção contra o coronavírus; capacitou equipes médicas de países vizinhos.


Não que estejam erradas as ações para conter o novo coronavírus. Elas são absolutamente necessárias. Chama a atenção a magnitude do trabalho para combater uma doença que, até sexta-feira, contabilizava oito casos suspeitos no país. É uma mobilização que contrasta com os males causados por outra doença, velha conhecida dos brasileiros: a dengue. Segundo dados do Ministério da Saúde, a dengue já matou 14 brasileiros em 2020. É três vezes mais do que o número de óbitos registrado no mesmo período em 2019. O país já soma 94 mil casos este ano. :(


É de se desejar, profundamente, que as autoridades federais, estaduais e municipais mostrem a mesma presteza para combater esse mal tão brasileiro.




Fontes: Correio Brasiliense, Notícias R7 e JP News




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