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07/03/2018 - 9 dicas para combater pragas nas lavouras de milho



Em época de semeadura do milho segunda safra, um dos principais problemas enfrentados pelos produtores é o controle de insetos-praga nas lavouras, como o percevejo-barriga-verde, a cigarrinha Dalbulus maidis e a lagarta-do-cartucho. De acordo com informações da Embrapa Milho e Sorgo, isso é resultado do aumento da área plantada do milho segunda safra, que ultrapassou a produção da safra de verão.


Percevejo barriga-verde


“Essa mudança no sistema de cultivo alterou também o grupo de insetos-praga com que o produtor precisa se preocupar. Como o milho é plantado logo na sequência da soja, o percevejo-barriga-verde, que era considerado praga secundária do milho primeira safra, passou a ter status de praga primária”, explica a pesquisadora Simone Martins Mendes, da área de Entomologia da Embrapa Milho e Sorgo, no boletim Grão em Grão. “Isso [ocorre] porque o percevejo se alimenta da soja, e depois que o produtor colhe a leguminosa para plantar o milho, o percevejo fica na área e passa a se alimentar do milho, causando prejuízos caso medidas de controle não sejam tomadas.”


Cigarrinha e lagarta-do cartucho


Segundo a pesquisadora da Embrapa, outro problema típico do milho segunda safra é a ocorrência da cigarrinha Dalbulus maidis. “Essa praga se alimenta somente do milho. O pico populacional dela ocorre em março, após o aumento da sua população na safra de milho do verão. O problema, nesse caso, é a transmissão dos enfezamentos para a planta, acarretando sérios prejuízos para o agricultor”, diz a pesquisadora.


De acordo com a pesquisadora Simone Martins Mendes, também é considerada grave a ocorrência da lagarta-do-cartucho, que ainda é considerada a principal praga do milho. “Independentemente da época, é ainda a maior dor de cabeça do produtor de milho, mesmo com o cultivo do milho transgênico”, afirma Simone. Confira abaixo as recomendações dos pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo para manejar pragas e doenças e incrementar a produtividade de milho diante desse cenário.


1 – Manejo de plantas daninhas, pragas e doenças


O chamado “Período Crítico de Prevenção à Interferência (PCPI)” para o milho vai entre 15 e 45 dias após a emergência das plantas. Essa é a etapa em que a planta define seu potencial produtivo, e qualquer competição pode comprometer significativamente a produtividade de grãos. O manejo correto consiste na identificação das espécies de plantas daninhas para a correta aplicação dos herbicidas.


2 – Cuidado com o glifosato


Com o advento das tecnologias RR, tornou-se comum o semeio do milho tolerante ao glifosato em sucessão à soja RR. Esse fato fez com que os produtores passassem a utilizar ainda mais o glifosato em suas lavouras, podendo ocasionar o aumento na pressão de seleção de espécies tolerantes e biótipos resistentes a este herbicida em suas lavouras.


3 – Plantas voluntárias


Além do aumento da pressão de seleção, o produtor passa a ter que se preocupar com o manejo das plantas voluntárias de soja e milho tolerantes ao glifosato em suas lavouras. Além da rotação de tecnologias na semente, o produtor deve estar atento para a rotação de tecnologias e/ou de ingredientes ativos, pois a resistência de plantas daninhas a alguns herbicidas vem se tornando cada vez mais frequente.


4 – Híbrido de milho


Para reduzir esses problemas, seria interessante o produtor optar em suas lavouras por um híbrido de milho que não apresente esta tecnologia, se ele semeou a soja RR no talhão. O importante é controlar a competição entre o milho e as plantas invasoras até a emissão da oitava folha, pois o cereal está definindo seu potencial de produtividade e qualquer competição pode comprometer seu rendimento.


5 – Combate às lagartas


O produtor deve estar sempre atento às lagartas, principalmente as polífagas, como a Spodoptera frugiperda e a Helicoverpa armigera. A forma mais eficaz e também a de melhor relação custo x benefício para o manejo é o monitoramento constante da lavoura. Deve-se fazer a aplicação de produtos para controle das pragas somente quando o nível de dano econômico for atingido.


6 – MIP


O manejo integrado de pragas (MIP) é a tecnologia mais barata e a de maior retorno para o produtor. De acordo com as orientações da Embrapa, ao realizar o monitoramento para identificação do nível de dano econômico, o produtor ganha a opção pela escolha de tecnologias que lhe permitem reduzir o custo com aplicações “calendarizadas”.


A Embrapa ressalta que, no caso dos inseticidas, o controle químico deve ser iniciado a partir do nível de dano econômico, ou seja, o uso desses produtos será sempre em caráter curativo. O uso de produtos químicos para controle de pragas em baixo nível de infestação ou em caráter preventivo não é recomendado e gera custos sem necessidade.


7 – Outras pragas preocupam


Pragas como os pulgões, percevejos e mais recentemente a cigarrinha Dalbulus maidis, que até alguns anos atrás não eram motivos de preocupação para o produtor, têm causado problemas nas lavouras e requerem manejo específico para o seu controle, baseados sempre em tratamento de sementes e monitoramento das lavouras.


8 – Enfezamentos


De acordo com as informações divulgadas pela Embrapa, atualmente não existe alternativa altamente eficiente para o controle dos enfezamentos. Assim, é essencial conhecer o ciclo das doenças para ajustar, em situações específicas de cultivo do milho, aplicação simultânea de práticas para escapar, controlar ou minimizar danos por enfezamentos. Segundo a Embrapa, em relação aos percevejos, é preciso lembrar que o manejo deve começar na cultura antecessora – no caso, a soja – de modo a evitar que grandes infestações possam ocorrer na fase crítica de estabelecimento inicial do milho segunda safra.


9 – Fungicidas


Para a aplicação de fungicidas, a recomendação é a mesma: monitoramento das glebas para identificação da necessidade de aplicação do produto. A Embrapa ressalta que a aplicação de fungicidas sempre deve ser realizada previamente ao aparecimento da doença ou no início do aparecimento dos primeiros sintomas, pois os produtos registrados são, prioritariamente, de caráter preventivo.


Assim, conhecer os sintomas das principais doenças e a fase em que tendem a iniciar em relação ao estádio de desenvolvimento da planta é importante para se definir as estratégias de controle, e pode diminuir os custos com aplicações desnecessárias. A incidência e severidade de muitas doenças estão relacionadas ao híbrido semeado e às condições climáticas durante o desenvolvimento da cultura. De acordo com as orientações da Embrapa, muitos híbridos são resistentes a determinadas doenças e tal característica pode ser um diferencial importante no momento da escolha da cultivar a ser semeada.




Fonte: Farming Brasil

Foto: Fabiano Bastos