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23/04/2008 - Saúvas fazem faxina antes de levar folhas para o formigueiro




Em um daqueles acasos que só acontece nos laboratórios, pesquisadores brasileiros descobriram um comportamento para lá de curioso nas formigas saúvas. Como ensina toda mãe dedicada, elas fazem uma ‘faxina’ nas folhas antes de levá-las para o ninho.


O comportamento surpreendeu o pesquisador Kiniti Kitayama da Universidade de Brasília. “É um fato que não havia sido observado, ou se observado, não havia sido publicado em revistas especializadas”, afirmou ele ao G1.


E de formiga, Kitayama entende. Filho de agricultores, ele cresceu vendo as folhas dos algodoeiros de seus pais sendo destroçadas pelas saúvas. Ao entardecer, saía ao campo para aplicar veneno nas pragas das plantações. Hoje, se dedica a entender um pouco mais sobre a sociedade desses insetos.


Foi cuidando das saúvas em seu laboratório que ele descobriu, sem querer, o comportamento que o surpreendeu. A planta que ele normalmente oferecia às formigas, a popular “pata-de-vaca” (Bauhinia variegata), diminuiu sensivelmente de quantidade durante o período de seca em Brasília. Sem alternativa, ele passou a oferecer outras folhas, as “oitis”, que possuem uma grande quantidade de pêlos e apresentam um efeito aveludado. Foi aí que a faxina das saúvas começou.


Kitayama e seus colegas observaram atentamente e descreveram o comportamento das formigas. Intrigados, ofereceram outros tipos de folhas com pêlos e, em todas, a sessão limpeza foi feita. Além dos pêlos, as saúvas também retiravam das folhas poeira e outras sujeiras.


As folhas não são comida para a espécie. Na verdade, elas alimentam um fungo, que fica no formigueiro e é o verdadeiro alimento da colônia. “As saúvas foram praticamente as primeiras agricultoras do planeta”, explica Kitayama. O pesquisador acredita que os pêlos das folhas são retirados porque não ajudam em nada no desenvolvimento do fungo.


Exclusivas do continente americano, as saúvas são encontradas desde o Texas, nos Estados Unidos, até a Argentina. Sua sociedade fascina pesquisadores, entre vários motivos, por ser essencialmente matriarcal. Os machos servem apenas para acasalar com as futuras rainhas das colônias, e morrem logo em seguida. Depois de acasalar, a rainha perde suas asas, volta para a terra e cava um buraco onde será a nova colônia. É ela quem produz o fungo que serve de alimento e todas as operárias do ninho ao longo de toda sua vida, de cerca de 15 anos. Quando ela morre, acaba a colônia.




Fonte: Ambiente Brasil



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