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31/03/2010 - Arquitetas da floresta




Uma fileira densa de saúvas sobe e desce o tronco de uma árvore e forma uma estrada no chão até a entrada do formigueiro. Entre folhas, flores, pedaços de frutos e sementes, as que voltam para o ninho levam nas costas cargas muitas vezes bem maiores do que o próprio corpo e do dia para a noite podem desnudar uma planta.


Um estudo coordenado por Inara Leal, da Universidade Federal de Pernambuco, foi além das plantas saqueadas e analisou o efeito das saúvas na estrutura da floresta (Oecologia). O grupo verificou que as saúvas estão entre os poucos organismos beneficiados quando áreas de Mata Atlântica são transformadas em fragmentos isolados. Nessas áreas, as formigas abrem grandes clareiras sobre os ninhos, permitindo que o dobro da luz chegue ao chão, se comparado a áreas mais distantes de ninhos.


Ao longo de um ano, a equipe percebeu que poucas espécies de plantas características de florestas maduras conseguem germinar e sobreviver com mais luz. Longe da ação devastadora das formigas, a densidade de plantas jovens é quase três vezes maior, com o dobro da riqueza em número de espécies e com mais espécies tolerantes à sombra. As saúvas impedem a regeneração e o amadurecimento da floresta.




Fonte: Revista Fapesp - 169 - Março 2010

Foto: Christian Ziegler



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