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10/06/2015 - Planta carnívora cria estratégia para capturar formigas




Uma planta que se alimenta de insetos nativa da ilha de Bornéu, na Ásia, é a prova de que não é preciso ter cérebro para ser inteligente. Cientistas descobriram que a planta usa as variações climáticas para tornar sua superfície mais ou menos escorregadia para conseguir capturar e devorar grandes quantidades de formigas de uma vez só, em vez de se contentar com indivíduos isolados.


A planta estudada é da família Nepenthes e tem armadilhas no formato de jarros para capturar suas presas. Quando a borda da planta se torna úmida, ela fica escorregadia e as formigas que estão andando na superfície caem e se tornam alimento da planta.


Já nos dias quentes e ensolarados, a superfície fica seca e se torna segura para os insetos. As formigas isoladas coletam néctar da planta, chamando toda colônia para fazer o mesmo.


As formigas formam sua trilha em busca de comida e, assim que um grande número delas está circulando pela planta, caem na armadilha, pois o vegetal torna sua superfície escorregadia de um momento para outro. Ao deixar as formigas pioneiras escaparem, a planta captura uma quantidade muito maior de presas de uma vez só.


Para controlar quando a armadilha se torna escorregadia, a planta excreta um tipo de néctar que prepara a superfície para se tornar úmida por meio da condensação, quando a umidade do ar está baixa. Isso faz com que a armadilha seja ativada no período da tarde, quando muitos insetos diurnos ainda estão trabalhando.


Claro que a planta não é esperta no sentido humano --ela não pode planejar. No entanto, a seleção natural é implacável e só premia as estratégias mais bem-sucedidas, afirma a bióloga Ulrike Bauer, da Universidade de Bristol, que liderou o estudo publicado na revista Proceedings of the Royal Society B.


As plantas insetívoras geralmente crescem em habitats pobres em nutrientes, por isso precisam capturar presas para se alimentar. O que superficialmente parece uma queda de braço entre ladrões de néctar e predadores mortais pode, de fato, ser um caso sofisticado de benefício mútuo, diz Ulrike. Desde que o ganho de energia (comendo o néctar) seja maior do que a perda de formigas operárias, a colônia de formigas se beneficia da relação tanto quanto a planta.




Fonte: BOL Notícias - 2015

Foto: Ulrike Bauer/University of Bristol/Reuters



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