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03/07/2019 - Uso inadequado de agroquímicos fortalece pragas



Em Mato Grosso 5 pragas são críticas para a cotonicultura e ganham resistência com a repetição do uso de alguns princípios ativos no controle químico. Lagarta do gênero Spodoptera ssp, nematoides, mosca branca, bicudo-doalgodoeiro e percevejo marrom estão se tornando cada vez mais tolerantes aos produtos químicos utilizados, apontam estudos do Instituto Mato-grossense de Algodão (IMA). Pesquisas realizadas há vários anos pela entidade mostram que a resistência das pragas é motivada por diversos fatores.


Um deles é a repetição do uso de agroquímicos. Inclusive nas lavouras de soja e milho a resistência é detectada. Para averiguar o nível de tolerância das pragas aos defensivos, o monitoramento das lavouras é essencial, afirma o diretor-executivo do IMA, Álvaro Salles. No caso da lagarta Spodoptera é constatada tolerância a todos os transgênicos, inclusive aos novos que estão sendo lançados no mercado. Já entre os nematoides observou-se um crescimento da população em áreas mais arenosas, principalmente do gênero Meloidógyne Incógnita, e nas áreas argilosas do nematoide Rotylenchulus Reniformes, por vezes associado ao Meloidógyne Incógnita, informa o IMA.


Pesquisadores do Instituto observaram que, no caso da mosca branca, a expansão do inseto nas lavouras está associado ao sistema de produção utilizado, com a combinação de soja e algodão, bem como o uso intensivo de inseticidas e fungicidas que estão causando a diminuição dos inimigos naturais, principalmente fungos, que poderiam controlar o inseto.


“Além disso, o bicudo-doalgodoeiro é sempre um problema, assim como o percevejo marrom”, conclui Salles. “Como estamos vendo que o uso de químicos está cada vez mais caro, o IMA lançou um programa muito forte para controle biológico. Inicialmente nós vamos ter no mercado produtos já utilizados por outros, mas temos um grande trabalho de prospecção para procurarmos microrganismos presentes em Mato Grosso que sejam efetivos para cada uma destas pragas“, comenta Salles.


O trabalho de prospecção teve início há cerca de dois anos, relacionado à ocorrência de nematoides em território estadual. Em junho o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) divulgou o custo de produção do algodão em Mato Grosso para a safra 2019/2020. Os dados, referentes ao mês de maio, apontavam um custo operacional de R$ 9 mil por hectare, aumento de 1,42% ante abril.


De acordo com o IMEA, tal alta está ligada à elevação do dólar que influenciou nos insumos, que são cotados pela moeda norte-americana. Por meio da prospecção de fungos, o IMA organizou um banco com mais de 500 cepas diferentes de fungos isolados de Trichoderma, Pochonia e Paecilomyces, explica Salles. O IMA também mantém prospecção na parte de bactérias conhecidas como potenciais agentes de controle natural, com foco em bicudo e em Spodoptera. “Nessa parte de bacilos nós aproveitamos o mesmo banco de solos e realizamos prospecções nele. Ali conseguimos isolar em torno de 1,5 mil cepas, entretanto a nossa meta é chegar a cerca de 4 mil isoladas.


Deveremos fazer missões de coletas de solos em regiões diferentes para tentar mais variabilidade para termos produtos efetivos diferentes do que hoje está sendo oferecido no mercado, para que esse produto realmente contribua e assim tenhamos um custo menor de produção com a diminuição da carga de químicos”, expõe o diretor do IMA.


No Instituto também são desenvolvidos trabalhos com vírus coletados de lagartas encontrados mortas principalmente em milho e algodão, além de fungos. Dessa forma, o Instituto detém atualmente um grande banco de variados isolados para diversas pragas, porém mantendo o foco na Spodoptera. No prazo de 10 anos, pesquisadores do IMA esperam reduzir em até 50% a carga de químicos para o controle de insetos no algodão, com o trabalho de prospecção associado ao melhoramento genético.


“São muitas coisas que precisarão ser estudadas, mas nós estamos criando este caminho. Achamos que vamos contribuir para a redução dos custos e da dependência unicamente dos agroquímicos que são necessários, porém seu uso deve ser o mais racional possível”, arremata o presidente do IMA. (Com Assessoria)