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14/08/2019 - 'As abelhas pedem socorro'. Por Lasier Martins, senador (Podemos-RS).



As abelhas simbolizam trabalho, cooperação e prosperidade. Mas é no alimento que está a mais precisa associação com as melhores polinizadoras do planeta. Sem elas, a produção rural declina e o abastecimento corre risco. Não foi à toa que Europa e Estados Unidos, há mais de uma década, vêm reagindo ao desaparecimento desses insetos, até com a cassação de certos agrotóxicos. Agora é a vez de o Brasil encarar essa ameaça.


Líder da apicultura nacional, o Rio Grande do Sul reúne 400 mil colmeias, que produzem 6 mil toneladas de mel por safra, 15% do total brasileiro. O estado também é o palco principal no país da crescente mortandade das abelhas, segundo associações de apicultores, secretarias de Agricultura e universidades. Das quase meio bilhão achadas mortas em quatro estados, de dezembro a fevereiro, 400 milhões eram de municípios gaúchos.


Cruz Alta, no Noroeste do estado, pintou o quadro mais trágico desse levantamento de mortes, sendo 80% delas por pulverização de pesticidas, conforme testes de laboratório. Ao longo de três meses, 100 milhões de abelhas foram dizimadas lá e 20% das colmeias, perdidas. Isso sem considerar as perdas silvestres, impossíveis de serem contabilizadas, e o descarte de mel motivado pelo medo de contaminação.


No nosso Rio Grande, episódios como esse são relatados desde 2005. Chegamos em 2019 ao auge de uma crise de impactos não apenas ambientais, mas, sobretudo, econômicos, em virtude dos produtos oriundos das abelhas e dos efeitos delas sobre a produtividade das lavouras, até mesmo das que não carecem diretamente da polinização. A dependência desta interação pelos cultivos para alimentação humana e animal chega a 60% no Brasil.


Preocupado com esse cenário, apresentei projeto de lei para combater a significativa redução das colônias de abelhas. Neste sentido, o PLS 1918/2019 estimula pesquisas e insere ações nas políticas de meio ambiente e de manejo florestal. O texto prevê ainda que propagandas de agrotóxicos alertem para as consequências deles sobre polinizadores e que o receituário da venda contenha razoáveis instruções de uso.




Fonte: Gaúchazh