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29/11/2017 - Cientistas desvendam segredo das cores das borboletas



Somente a natureza pode pintar as belíssimas cores e padrões nas asas de uma borboleta. Mas os cientistas agora dizem ter dominado os primeiros passos do sistema de coloração e esperam daqui a algum tempo controlá-lo, possibilitando a criação dos desenhos de asas de borboletas vivas.


O desenho e as cores nas asas de borboletas são controlados por conjuntos de genes. A nova técnica de edição genética CRISPR-Cas torna muito mais fácil descobrir o que um gene faz, ao removê-lo para ver o que acontece.


Duas equipes de biólogos publicaram na revista The Proceedings of the National Academy of Sciences o uso da técnica para explorar os papéis de dois genes principais que controlam a aparência das asas do inseto.


O grupo liderado por Linlin Zhang e Robert D. Reed, da Universidade de Cornell, em Nova York (EUA), descobriu que um gene chamado optix desempenha um papel fundamental: controla toda a cor da asa de uma borboleta. Quando o optix é excluído dos ovos da borboleta-maracujá-silvestre, o resultado é um adulto com asas em preto e prata opacos.


Isso porque, na ausência do gene optix, as escamas das asas da borboleta produzem melanina, um pigmento preto, em vez da coloração castanha comum.


Os biólogos já suspeitavam que o optix desempenhava um papel na ativação do pigmento marrom. Mas ficaram surpresos com o fato de o pigmento preto ter sido ativado na ausência do optix.


Um segundo grupo, liderado por Anyi Mazo-Vargas da Universidade Cornell e Arnaud Martin da Universidade George Washington, explorou o papel de um gene chamado WntA.


O desenho das borboletas nymphalid consiste em quatro faixas paralelas ao corpo, que correm do centro em direção à ponta das asas. A segunda faixa, chamada de sistema de simetria central, contém o padrão no meio das asas e a terceira faixa contém os desenhos que formam os olhos.


A equipe de Martin descobriu que, quando o gene WntA é eliminado com a técnica CRISPR, a faixa do sistema de simetria central desaparece inteiramente das asas das borboletas com manchas marrons e olhos nas asas.


Mas em outras espécies, a perda de WntA tem efeitos muito diferentes, sugerindo que o gene foi adaptado muitas vezes para desempenhar diferentes papéis em outros padrões à medida que novas espécies de borboletas evoluiam.




Fonte: BOL Notícias / The New York Times

Foto: Richard Wallbank/Smithsonian Institution e University of Cambridge/The New York Times