Coluna Gente

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COLUNA 01 - PEDRO LOPES (BAYER)

COLUNA 02 - JEAN C. VILLE (D.D.DRIN)

COLUNA 03 - PROF. ANTONIO TADEU DE LELIS

COLUNA 04 - JOSÉ AGEL (MATABEM/GREEN PEST CONTROL)

COLUNA 05 - ANTONIO BATISTA FILHO (INSTITUTO BIOLÓGICO)

COLUNA 06 - GILDO JOSÉ DA SILVA (SANEX)

COLUNA 07 - VALDIR STÉDILE (SYNGENTA)

COLUNA 08 - DRA. ANA EUGÊNIA DE C. CAMPOS-FARINHA (INSTITUTO BIOLÓGICO)






COLUNA 01 - PEDRO LOPES (BAYER)


Pedro Lopes


A partir desta quarta-feira, 03 de novembro de 2004, o pragas On-line coloca no ar a Coluna Gente. Na primeira quarta-feira de todo mês, vamos apresentar uma entrevista especial com personalidades do setor como: pesquisadores, professores, executivos, empresários, entre outros ligados ao setor de controle de pragas urbanas.


Nossa primeira personalidade é Pedro Lopes, que desde de setembro de 2004 está de volta ao país como gerente da Bayer Environmental Science para o Brasil, Colômbia e Venezuela.


PERFIL


Engenheiro Agrônomo por formação tem uma trajetória brilhante dentro da Bayer.


Ao concluir a universidade, em 1989, iniciou suas atividades na área de vendas e assistência técnica, inicialmente nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, e posteriormente como Coordenador Regional de Promoção e Vendas para os estados de Goiás, Mato Grosso e Tocantins.


Em 1994 foi transferido para São Paulo, e assumiu a Gerência do Mercado PCO/TCO, época em que a Bayer lançou vários produtos de ponta, e iniciou forte crescimento, consolidando sua posição de destaque no mercado nacional.


Consciente de seu papel como executivo, Pedro Lopes buscou aprimoramento profissional e fez dois cursos de Pós-graduação, em Marketing e Administração de Empresas.


Em Dezembro de 1996 foi para a Colômbia de onde gerenciou a área Norte da América Latina, sendo responsável por todas as atividades da Divisão na Colômbia, Venezuela, Peru, Equador, América Central e Caribe.


Em 1999 regressou ao Brasil para assumir a Gerência da Linha Profissional. E após concluir outro ciclo de importante de crescimento da empresa, foi transferido para a Bayer Chile, onde permaneceu por dois anos gerenciando cinco países.


Em entrevista ao Pragas on-line, diz que acredita num crescimento significativo em 2005, e afirma que o Brasil representa um mercado de destaque no cenário mundial e que a Bayer seguirá investindo no país. Veja a entrevista:



ENTREVISTA


POL - A Bayer passou por alterações profundas na estrutura. O que podemos esperar da Bayer para o setor domissanitário no Brasil?

PL - A BES implementou, em primeiro de julho de 2004, uma nova estrutura organizacional no Brasil e na América Latina, para dar suporte às prioridades do negócio dentro dos próximos anos. Os principais objetivos para o negócio são:


Melhorar a sua direção, através do fortalecimento da organização e do aperfeiçoamento dos processos comerciais, para aumentar a competitividade e a lucratividade em um ambiente de constantes mudanças econômicas, regulatórias e de competitividade. Aumentar o negócio através de uma abordagem de mercado mais simples e ajustada.


Adaptar a estratégia do negócio para competir com diferentes ambientes de mercado regionais, mantendo o foco nos mercados específicos, no mix de produtos e definindo clara responsabilidade para os gerentes de linha.


Aumentar a integração regional, para assegurar a melhor utilização de recursos,melhores práticas, conhecimento e alavancando o conhecimento acumulado de mercado e comercial nos países.


Iniciar e implementar mudanças para fortalecer a cultura de compartilhamento de informações, trabalhando mais intensamente com os diversos países e promovendo a integração de cultura na organização.


POL - Após o lançamento de novos produtos, qual é o crescimento esperado vindo destes novos produtos? A linha tradicional ainda continuará com uma grande participação?

PL - Esperamos um crescimento significativo, tendo em vista o lançamento de novos produtos e a mudança no layout das embalagens, além de tornar a linha profissional mais atrativa e criar uma identidade visual para o consumidor, a linha ficou completa, com opções para todos os tipos de pragas em formulações de alta tecnologia e de qualidade insuperável.


POL - Quanto a Bayer representa em percentual no mercado total de controle profissional de pragas no Brasil? e no mundo?

PL - A Bayer é líder mundial no setor de controle de pragas urbanas.


POL- Após ter tido a oportunidade de trabalhar fora do Brasil, como você reavaliaria o mercado profissional de controle de pragas urbanas no Brasil?

PL - O Brasil por sua própria extensão continental e grande população já representa um mercado de destaque no cenário mundial. O clima é altamente favorável à proliferação de pragas urbanas e o nível técnico dos controladores de pragas é bastante alto. O empresário brasileiro é muito bem preparado e tem responsabilidade social.


A indústria oferece capacitação e produtos de ponta para o setor. A Expoprag 2004 demonstrou claramente o potencial do mercado brasileiro cuja economia vem crescendo em ritmo forte e ao que tudo indica, de maneira duradoura.


Alguns setores já vivenciam este crescimento, e o setor de serviços será o próximo.


O Brasil é um dos países chave para a Bayer Environmental Science e seguiremos investindo no mercado e no país.


POL - Na sua opinião, quais os principais desafios que deverão ser superados por este setor?

PL - Conscientizar a população, empresas, indústrias e o próprio governo sobre a necessidade e importância do controle de pragas urbanas na sociedade, alcançando maiores padrões de higiene, saúde e bem-estar, além da prevenção de muitos tipos de doenças.


Outro ponto, é a importância da contratação de profissionais capacitados e especializados para se ter total segurança em relação às técnicas empregadas e os produtos químicos utilizados para o controle das pragas. A legislação também desempenhará um importante papel no desenvolvimento do nosso setor.


POL- A participação na EXPOPRAG 2004 atingiu as expectativas da Bayer?

PL - Sim. Além disso, a união com mais duas associações (ABRALIMP, APAN) possibilita novas oportunidades para atuarmos em diversos segmentos devido ao amplo e versátil portfólio de nossa empresa.





Pedro, obrigado pela entrevista, desejamos sucesso para você neste novo desafio, e gostaríamos de colocar o Pragas On-line à sua inteira disposição.


Aproveitando a oportunidade, gostaríamos também de agradecer mais uma vez pelo apoio da Bayer, que foi muito importante para a consolidação da imagem do Pragas On-line, que é hoje considerado como uma referência e o maior e mais confiável site sobre pragas urbanas no Brasil.









COLUNA 02 - JEAN C. VILLE (D.D.DRIN)


Jean C. Ville


O destaque da Coluna Gente, desta edição, é Jean C. Ville, que além de sócio, dirige os departamentos comercial e operacional da D.D.DRIN.


Iniciou sua carreira na D.D.DRIN, muito cedo, passando por todos os departamentos, permanecendo por longo período da área técnica operacional. Procurou desenvolver seu trabalho visando o crescimentos global da empresa, para melhor atender as crescentes demandas.


Para aprimorar seus negócios busca auxilio através de empresas internacionais, onde sempre obteve informações tecnológicas mais modernas, fazendo visitas periódicas aos Estados Unidos, onde acredita que se encontra o maior mercado de controle de pragas, com muitas ofertas de equipamentos e rico em estruturas e construções nas quais há muito a se aprender.


Em entrevista ao Pragas On-line, fala da história da D.D.DRIN que se confunde com a própria história da dedetização no Brasil. Jean C. Ville, fala ainda da expansão da sua rede de franquias, e diz que a má fiscalização, a informalidade e a oferta de serviços de péssima qualidade atrapalham o crescimento do setor. Mas está otimista, pois classifica 2004 como o ano da recuperação, acredita que o setor apresente um crescimento de 15%. Para 2005 espera crescimento de 5% a 10%, sem contar o mercado de franquias e franqueados, que é muito promissor.


HISTÓRICO D.D.DRIN


A idéia de montar a empresa surgiu, na verdade, durante uma visita de um parente aos Estados Unidos por volta de 1950. Lá conheceu empresas que efetuavam este tipo de serviço em residências, e trouxe esta idéia para o Brasil, e logo foi implantada na cidade do Rio de Janeiro tendo como alvo inicial as redes de supermercados.


A D.D.Drin iniciou suas atividades em 1952 na cidade do Rio de Janeiro, fundada por Sr. Jose W.S.de Albuquerque. Suspendendo suas atividades temporariamente ao realizar um de acordo comercial unindo-se a Insetisan, empresa do mesmo segmento no Rio de Janeiro.


Em 1957 Claudio M. Ville inaugura a D.D.Drin em São Paulo, a qual obteve rapidamente significativa posição de destaque no mercado de controle de pragas, onde posteriormente em 1960 José W.S. de Albuquerque deixa a Cidade do Rio de Janeiro para associar-se a Claudio M. Ville na D.D.Drin São Paulo, encerrando definitivamente as atividades no Rio.


Hoje, a sociedade esta distribuída entre Claudio M. Ville, Jean Claude Ville e Gabrielle M. Ville.


Veja abaixo a coleção de equipamentos antigos da D.D.Drin que farão parte de um museu que a D.D.Drin estará montando:




ENTREVISTA


POL - Quais foram as principais vitórias que a D.D.DRIN conseguiu durante a sua história?

Jean – Nosso pioneirismo e a garra com que a empresa sempre foi dirigida, nos levaram a exigir e oferecer serviços e produtos de primeira qualidade. Essa mentalidade fez com que ganhássemos destaque já no início de nossas atividades. Além disso, somos arrojados no Marketing, transformamos a D.D.Drin em sinônimo de qualidade em desinsetização e controle de pragas de um modo geral.


POL - Como e por que a D.D.DRIN se tornou uma franqueadora?

Jean – Lembro que, novamente, a D.D.Drin foi pioneira no segmento de franquias...O que nos tornou uma franqueadora foi justamente a dificuldade de gerenciamento das unidades filiadas e também a necessidade de atender o mercado fora da região. O sistema de franquias proporciona um excelente atendimento com boa lucratividade e sem perder a qualidade que é muito importante.


É importante salientar que a D.D.Drin pretende estender sua rede de franquias, procurando novos parceiros para este mercado que só tende a crescer, isto devido a falta deste tipo de atendimento em muitas regiões e a crescentes consulta e solicitações.


Ao se tornar um franqueado a empresa passa a fazer parte do nosso sucesso, onde junto a marca D.D.Drin poderá contar com experiência de 46 anos de bons serviços prestados e informações técnicas modernas.


POL - Quais os segmentos em que a D.D.DRIN atua atualmente? Como isto evoluiu com o tempo?

Jean - Com a passar dos anos, visando atender as necessidades do mercado seccionamos e especificamos o atendimento em: alimentação (restaurantes, lanchonetes, Fast foods, panificadoras), departamento de Condomínios, entre outros como, Comercial, Industrial, Residencial e subseqüentemente abrimos um departamento exclusivo para controle de cupim e até outras pragas. Lembramos que antigamente, tratava-se o controle de pragas de um modo genérico, ou seja, insetos rasteiros, voadores e roedores eram exterminados todos da mesma maneira como um todo, sem a execução de contratos periódicos e monitorados como hoje em dia é feito.


Hoje digo que a D.D.Drin é uma empresa eclética de largo espectro em seu atendimento, pois cobre grande parte dos segmentos de mercado. Nosso atendimento separa com clareza, atendimento para as pragas de maneira técnica e específica, separando: Baratas, Formigas, Pulgas, Aranhas, Cupim de madeira seca, Brocas (Coleopteros), Cupim subterrâneo, de solo, Roedores, Insetos Alados(voadores) tendo cada qual seu controle adequado com metodologia, produtos, garantias, sistema de vendas específicos, seja conforme a praga infestante, nível de infestação, perfil do cliente ou seu segmento de mercado. Enfim, nos adaptamos a cada situação, com o intuito único de prestar serviços com qualidade respeitando nosso clientes e o meio ambiente, afinal não se atinge 46 anos de serviços sem bem atender aos clientes, seja, é preciso além de tudo dar solução e concluir os serviços aos que nos propusemos.


POL - Que estimativa você faz sobre o tamanho deste setor no Brasil?

Jean - Não posso dizer ao certo, pois não é muito fácil entender as divergências econômicas de um País como o nosso, mas sei de números obtidos através de empresas especializadas e associações que o faturamento anual é em torno de R$ 500.000.000,00 ano, muito embora julgo estar errado e muito alto, mas como o número de empresas não credenciadas é proporcionalmente igual ao mercado das empresas devidamente estabelecido, os dados são obtidos por projeção, além disto é preciso que se leve em conta os serviços específicos para industria alimentícia, exportação e importação por portos e aeroportos, empresas públicas, etc.


POL - Porque este setor não deslancha no Brasil?

Jean - Deslanchar é uma questão de ângulo de visão, se considerarmos os últimos 10 anos, vamos ver um crescimento substancial, vindo a estacionar nestes últimos 3 anos.Se levarmos em conta os últimos 20 anos teremos outros números. No geral o mercado cresce, mas, cada vez o bolo se divide mais, ou seja, as empresas não aumentam seu faturamento, pois tornou-se um mercado muito assediado por pequenos empresários, sem contar os famosos Zé Bombinhas.


Acho que vários fatores contribuem com essa situação como a má fiscalização por parte dos órgãos responsáveis.


As distribuidoras de produtos, na ânsia de aumentar seu faturamento, cada vez mais formam profissionais, ou sei lá, pseudoprofissionais, que recebem um certificado de conclusão e já se acham aptos para tal.


A informalidade é a cara do desinsetizador “Zé bombinha”.


A falta de credibilidade e a farta oferta de maus serviços no mercado são simbióticas, contribuindo para esta falta de crescimento.


Além disso é muito fácil abrir uma empresa sem apresentar os registros devidos.


POL - Na sua opinião o que precisa ser feito para melhorar a imagem do controlador de pragas?

Jean - Muita regra e farta fiscalização, assim acredito que as associações possam melhorar seu trabalho. É importante salientar que muito já fizeram e ainda fazem pelo mercado. Veja o caso das ações contra mídia escrita que a ADESP/APRAG moveram contra as editoras de listas, desta forma o cliente irá sentir-se mais seguro, contratando empresas devidamente estabelecidas.


POL - Qual a previsão de crescimento para este setor neste ano em relação a 2003?

Jean - 2003 foi um ano ruim, devendo ser 2004, um ano de recuperação, ou seja, em torno de 15%, ficando 2005 com uma meta de 5% a 10% em relação a 2004, sem contar o mercado de franquias e dos franqueados.


POL - Quem é o maior concorrente das empresas controladoras? Os produtos de venda livre, maus prestadores de serviços e a situação econômica do País?

Jean - Os produtos de venda livre em supermercados não digo, mas sim a má organização de empresas que vendem produtos inadequados a falsos profissionais. E, sem dúvida a situação econômica que obriga o mercado a atender os clientes a preços abaixo do esperado.


POL - Na sua opinião, quais os principais desafios que deverão ser superados por este setor ?

Jean - Situação econômica, credibilidade e concorrência desleal.É importante que os empresários brasileiros sejam capazes de adaptar-se a realidade, invistam em treinamento e capacitação técnica e pessoal.


POL - Você acha que os produtos e equipamentos existentes no mercado atendem plenamente as necessidades dos profissionais da área?

Jean - De maneira alguma, os equipamentos que poderiam ser fabricados ou importados a taxas reduzidas iriam sem dúvida alguma dar uma nova cara a este mercado.


POL – O que significa Respeitar o cliente?

Jean - É cumprir o que diz a nossa missão: Prestar serviços com excelência em atendimento, segurança, eficiência e pontualidade, respeitando o meio ambiente satisfazendo todas as expectativas de nossos clientes, fornecedores, colaboradores e a população em geral, perpetuando o respeito adquirido no mercado neste longos anos de trabalho.


POL - Finalmente, o você gostaria de comentar algo mais?

Jean - Gostaria de agradecer a lição de vida comercial obtida com estes grandes empreendedores, sem os quais a D.D.Drin não seria uma marca tão divulgada e de tradição em confiança e bons serviços prestados.





Jean, obrigado pela entrevista, desejamos sucesso para você, para a D.D.Drin e para todos franqueados, estamos à sua inteira disposição.


Para contato com a D.D.Drin:

Telefone (11) 3815-9666

dddrin@dddrin.com.br









COLUNA 03 - PROF. ANTONIO TADEU DE LELIS


Antonio Tadeu de Lelis


Nesta edição, o destaque da Coluna Gente, é o Prof. Dr. Antônio Tadeu de Lelis, biólogo, especializado em cupins, formado pela Universidade de São Paulo – USP, e Mestre e Doutor pela Universidade de Burgonha, na França.


O Prof. Lelis iniciou sua carreira no IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas, onde trabalhou por 28 anos. Atualmente, aposentado, o Prof. Lelis ainda trabalha com os cupins, principalmente como professor e consultor, mas não se dedica mais exclusivamente a eles.


Na sua opinião, o sucesso do profissional de controle de pragas esta ligado principalmente ao seu “espírito investigativo”, pois insistir apenas em aplicar e reaplicar inseticidas, indefinidas vezes sem uma análise maior da infestação, não é certamente a melhor opção.


Em entrevista para o Pragas On-line, fala sobre sua carreira, pesquisas e experiências no mercado de controle de pragas.



ENTREVISTA


POL - Prof Lelis, fale-nos um pouco sobre sua formação.

Prof. Lelis - Sou biólogo, formado pela Universidade de São Paulo. Logo no início da faculdade, ainda no primeiro ano, ingressei no IPT- Instituto de Pesquisas Tecnológicas e assim a minha vida profissional de “cupinólogo” começou ao mesmo tempo que a vida acadêmica. Entrei na instituição para trabalhar com os cupins e comecei minha especialização nesse grupo de insetos com Prof. Renato Lion Araújo, no Museu de Zoologia da USP. Prof. Araújo foi um famoso termitólogo brasileiro, de renome internacional, especialista em taxonomia. Com ele eu previa fazer o meu mestrado e já havíamos esboçado um programa preliminar, mas sua morte em 1978 mudou os rumos da minha pós-graduação. Cerca de dois anos depois, solicitei ao Prof. Charles Noirot, um dos maiores termitólogos do mundo e então professor na Universidade da Burgonha - França, que me aceitasse como seu orientando. Assim, de 1981 a 1982 realizei o meu DEA (Diplôme d´Etudes Approfondies) e mais tarde, de 1987 a 1990, o meu Doutorado.


Esse período de quase 5 anos que passei na França foi muito importante para a minha carreira. Durante aqueles anos eu pude me dedicar inteiramente ao estudo dos cupins e, contando com uma equipe de especialistas de alto nível, procurei aproveitar ao máximo essa oportunidade. Acrescento ainda que não fui buscar nessa especialização conhecimentos sobre controle; o que eu queria era aprofundar meus conhecimentos sobre os cupins. O uso desse conhecimento no controle desses insetos era tarefa para ser realizada aqui, com as espécies e problemas próprios do nosso país.


POL - Que tipo de trabalho o senhor desenvolveu enquanto pesquisador do IPT?

Prof. Lelis - O trabalho no IPT é de cunho essencialmente aplicado. Na época em que fui contratado, a principal tarefa era testar, em laboratório e no campo, a resistência de madeiras e a eficiência de produtos para preservação de madeiras aos cupins e aos fungos. Havia os testes de rotina e também as pesquisas que eram tanto projetos automotivados quanto para atender solicitações específicas de clientes. No início eu trabalhei com os insetos xilófagos, cupins e brocas-de-madeira, e também com fungos, grupo de organismos no qual já havia um especialista na instituição. Depois, com a contratação de outros biólogos, eu passei a me dedicar principalmente aos cupins.


Após meu DEA assumi também encargos administrativos, no caso, a Chefia do Laboratório de Entomologia. Depois do doutorado assumi a chefia do Agrupamento Preservação de Madeiras, com seus três laboratórios: Entomologia, Micologia e Preservação, e assim, me envolvi bastante com essas três áreas.


Quanto ao controle de cupins em edificações o setor já fazia atendimentos esporádicos na época do meu ingresso na instituição. A entrada definitiva do IPT na atividade de controle deu-se quando o então diretor da Divisão de Madeiras, Dr. Edgard Ghilardi, aceitou o desafio de resolver um grave problema de infestação por cupins na cidade de Santos. Tratava-se de um enorme conjunto habitacional, com alto grau de infestação e que nos consumiu cerca de 2,5 anos para controlar o problema. Esse trabalho foi uma verdadeira escola e ao seu término tínhamos um bom número de pessoas treinadas nessa atividade. Desse grupo formaram-se então as primeiras equipes de “erradicação de cupins” do IPT. Interessante notar que, nessa mesma época, meado dos anos 70, o IPT deixava de ser uma autarquia da USP e passava a ser uma empresa do Estado de São Paulo, transformação que incentivou a prestação de serviços e conseqüentemente favoreceu muito essa atividade.


POL - Quanto tempo o senhor trabalhou com cupins?

Prof. Lelis - Ainda trabalho com cupins, especialmente como professor, mas hoje, aposentado, não me dedico mais exclusivamente a eles, como ocorria há bem pouco tempo atrás. Tenho aproveitado esta minha nova condição também para outras atividades, para ler mais sobre outros assuntos e para me dedicar um pouco mais à família. Agora, se você se refere ao período em que fui pesquisador do IPT, esse tempo foi de 28 anos.


POL - Quais foram as descobertas mais importantes sobre esses organismos xilófagos?

Prof. Lelis - Falar sobre descobertas de modo geral, mesmo que tentássemos selecionar algumas, seria muita coisa. Quanto às minhas, o meu doutorado me levou a várias descobertas, mas traçar as relações entre elas e o controle de cupins, mesmo sendo tarefa muito prazerosa, exigiria também dedicarmos boa parte ou toda esta entrevista a tal exercício. Então, limitando-me à parte mais prática das minhas atividades, as principais descobertas são aquelas fruto das observações de casos de controle e não de investigações previamente propostas como foi o doutorado e os projetos de pesquisa.


O trabalho de controle de cupins sempre foi o meu laboratório e cada edificação um experimento. As pequenas descobertas feitas nessa atividade, fáceis de realizar e de resultado aparentemente simples, estão na base do conhecimento que tenho sobre esses insetos e são tão importantes quanto as outras, resultantes de pesquisas mais elaboradas. Dentre elas, vou destacar o registro de um ninho secundário com uma rainha neotênica fisogástrica de Coptotermes havilandi, - espécie recentemente corrigida para C. gestroi, e que originou uma comunicação para um Congresso da IUSSI (International Union for the Study of Social Insects). Nesse registro há informações muito importantes para o controle, razão que me levou a publicá-lo também em português, na revista Vetores & Pragas, para que pudesse atingir o maior número possível de controladores de pragas.


LELIS, A.T.(1998/99): Imaginal and neotenic queens of Coptotermes havilandi (Isoptera, Rhinotermitidae) from São Paulo, Brazil: the implication of supplemental reproductives in termite control. XIII International Congress of IUSSI, Adelaide, Australia, 29.dez.98-04.jan.99. Subvenção: FAPESP.


LELIS, A.T. (1999): Primeiro registro no Brasil de rainha de substituição de Coptotermes havilandi e sua implicação no controle desse cupim. Vetores & Pragas, nº 4: 19-23.


POL - Existe algum caso que o senhor gostaria de comentar?

Prof. Lelis - Há inúmeros! Além do citado anteriormente vou comentar sobre outro, mais antigo, mas que também foi publicado para que o leitor possa a ele recorrer se desejar. Trata-se de um ninho encontrado no 20º andar de um prédio, com uma rainha primária. Quando fomos chamados pelo condomínio, o problema já existia há algum tempo, sem que conseguissem resolvê-lo. O que quero comentar neste caso, e o leitor pode comprovar lendo a publicação, é que se os trabalhos anteriores ao nosso tivessem sido feitos com um pouco mais de “espírito investigativo” certamente teriam encontrado o foco do problema e resolvido a questão. Insistir apenas em aplicar e reaplicar inseticidas, indefinidas vezes sem uma análise maior da infestação não é certamente a melhor opção.


Quanto mais difícil for o problema mais ele exigirá observação. Evidentemente, essa observação tem que ser direcionada e, para isso, conhecimentos básicos sobre cupins são necessários. Felizmente, daqueles tempos para hoje, houve um grande progresso das empresas nessa linha de procedimentos.


LELIS, A. T. (1995): A nest of Coptotermes havilandi (Isoptera, Rhinotermitidae) off ground level, found in the 20th story of a building in the city of São Paulo, Brazil, Sociobiology, 1(26):1-5.


POL - Como foi sua experiência como empresário no setor de controle de pragas?

Prof. Lelis - Diferentemente daquele pesquisador essencialmente acadêmico e que vive de certa forma isolado do meio empresarial, eu estive sempre em contato com as empresas. Essa relação foi muito importante para minha carreira, ainda mais porque o meu trabalho sempre foi, mesmo quando de cunho acadêmico, voltado para as questões práticas. Apenas mais recentemente, após minha aposentadoria, eu me envolvi diretamente com a atividade empresarial. Entretanto, esses envolvimentos foram tão poucos e tão efêmeros que posso lhe afirmar que continuo não tendo nenhuma experiência como empresário. Mas aprendi muito com todos esses contatos com as empresas, do mesmo modo que aprendi também com os clientes e com as “donas-de-casa” em particular, que nos procuravam no IPT, aflitas, sem encontrar quem resolvesse seu problema ou sem entender as propostas que lhes eram apresentadas.


POL - Após ter tido a experiência de trabalhar no setor de controle de pragas, como o Sr. avaliaria o mercado profissional de controle de pragas urbanas no Brasil?

Prof. Lelis - Como já disse, ainda trabalho no setor de controle mas não como empresário e portanto vou falar com base nos meus contatos com esse setor, especialmente como professor. Lecionar é também aprender, e muito. Os alunos, e nesse caso particularmente aqueles que já são profissionais atuando no controle de pragas, me mostram com muita propriedade como está esse mercado.


Na época em que entrei no IPT, o número de empresas controladoras de pragas urbanas era pequeno, e menor ainda era o de biólogos e outros profissionais de áreas afins trabalhando nessa atividade. Esta situação é hoje muito diferente; o que foi que mudou? Para lhe dar uma idéia, e não faz muito tempo, o meu discurso sobre cupins e seu controle soava, para muitos, como algo extremamente acadêmico e fora da realidade. Além disso, certos procedimentos que eu indicava eram recebidos mais como entraves do que como solução. Hoje, pelo que ouço dos empresários, eles estão convictos da necessidade de ter, eles mesmos e suas equipes, mais conhecimento sobre os cupins. Como esses empresários são os contratantes, isto significa que o mercado está exigindo não mais apenas um “aplicador de produtos químicos”, mas sim profissionais que tenham, entre outras qualificações, uma boa formação na área e um grande “espirito investigativo”.


Na base dessas mudanças está, entre outros fatores, a maior difusão na população da importância de protegermos o meio ambiente, discurso antes quase que restrito aos pesquisadores e ambientalistas. Com isso veio a transformação dos produtos para controle, com novos princípios ativos, seus diferentes modos de ação e as novas maneiras de aplicação.


Toda essa transformação está exigindo profissionais mais qualificados e isso é um sinal muito claro de evolução do mercado.


POL - Na sua opinião, quais os principais desafios que deverão ser superados por este setor?

Prof. Lelis - Há vários desafios; vou comentar dois que estão intimamente ligados e centrados nas relações entre empresários e pesquisadores.


Assim como já aconteceu em outros setores de negócios do país, o conhecimento, neste caso sobre as pragas, e falo sempre especialmente dos cupins, deve chegar nas empresas. Para isso é necessário estruturar e fortalecer as relações entre empresários e pesquisadores. O mercado de controle de pragas urbanas evoluiu muito no nosso país, conforme já falei, mas há ainda um bom caminho a ser percorrido.


Tenho visto ultimamente, com certa freqüência, empregarem o termo “investimento” no lugar de “preço”. Pois bem! conhecimento é um produto, e que vale um bom “investimento”. O empresário deve reconhecer a importância desse produto e assim negociar e pagar corretamente por ele; quanto ao pesquisador, ele deve despojar-se de preconceitos e negociar também de forma correta o seu produto; não fugir do empresário, nem trocar simplesmente o seu conhecimento por alguns reagentes ou ainda por uma publicação em congresso. Se não houver dignidade nessas relações elas acabam não sendo nem permanentes nem produtivas.


Como um segundo desafio, considero a necessidade de expandir o controle de cupins para grandes áreas urbanas e mesmo municípios inteiros, e não cuidar apenas de problemas pontuais como tem sido feito até agora. Já falei sobre isso formalmente, há bastante tempo, em algumas publicações. Chegará o momento, se é que já não estamos nele, que, a exemplo do que ocorre em outros países, as empresas deverão estar preparadas para participar e mesmo para propor projetos de controle muito mais amplos, de dimensão municipal. Projetos dessa envergadura são bem mais complexos, irão exigir a participação de diferentes especialidades e, portanto, nesse momento, as relações entre empresas e pesquisadores deveriam já estar bastante afinadas.


POL - Na sua opinião o que precisa ser feito para melhorar a imagem do controlador de pragas?

Prof. Lelis - Não há melhor propaganda do que um trabalho sério e competente; contudo, é bem verdade que nem sempre trabalho sério e competente consegue ser devidamente reconhecido e divulgado. De um lado, as associações de classe têm desempenhado um papel muito importante nessa questão, estimulando o aprimoramento das empresas e coibindo aquelas que não representam dignamente o setor. Do outro lado, temos cursos específicos para profissionais da área, que têm dado enorme contribuição na formação e aprimoramento de pessoal.


Considero que a imagem desse setor já é muito melhor do que aquela que existia quando comecei nessa atividade e ela será tanto melhor a medida que for aumentando o número de empresas sérias e mais capacitadas e diminuindo o de empresas “de ocasião”.


POL - O Sr. acha que os produtos e equipamentos existentes no mercado atendem plenamente as necessidades dos profissionais da área?

Prof. Lelis - O profissional deve buscar sempre que necessário produtos e equipamentos de primeira linha, até mesmo para maior segurança e conforto na execução dos trabalhos, considerando que eles devem estar mais em concordância com a legislação e as normas atuais.


O mercado de produtos e equipamentos para o controle de pragas está sempre, felizmente, em constante evolução. Um exemplo disso é que, diferentemente do que ocorria não muito tempo atrás, temos hoje disponível no mercado produtos destinados especificamente para o controle de cupins. Ainda como exemplo da rapidez dessas transformações, somente ao longo desses meus 30 anos de trabalho, o que nem é tanto tempo, já se passaram algumas gerações de inseticidas.


Entretanto, considero que o mais importante nessa questão é que não basta um “bom produto” ou um equipamento de “última geração” para garantir um bom resultado. Apesar dessa afirmação parecer óbvia, uma pergunta que ouço quase sempre, quando ficam sabendo da minha especialidade, é a seguinte: “qual o melhor produto para cupins?” Quando eu começo a explicar e as pessoas percebem que não é por esse caminho e que não vou dar nenhum nome ou fórmula mágica, elas geralmente desistem e desviam a conversa. Confesso que hoje eu até me divirto um pouco nesses momentos, tão previsíveis são essas situações.


Vejo hoje, com satisfação, cada vez mais produtores preocupados com o nível de conhecimento dos seus consumidores, inclusive promovendo cursos e palestras sobre as pragas alvo dos seus produtos.


POL - Quais são seus planos para este próximo ano?

Prof. Lelis - Devo continuar envolvido principalmente com aulas e palestras, e também com a organização de cursos com profissionais de outras especialidades. Considero muito proveitoso e me agrada muito reunir, além de biólogos, outros profissionais tais como arquitetos, engenheiros e restauradores, para tratar do assunto de insetos xilófagos em edificações. Além disso, pretendo publicar algumas notas sobre determinados aspectos do controle de cupins, fruto das minhas observações, e onde devo colocar, como sempre procuro fazer, a minha maneira de ver esse assunto.


POL - O senhor tem alguma dica para o controlador?

Prof. Lelis - Tenho. Estude! Estude muito! Estude sempre! Leia tudo o que puder, não apenas sobre controle mas também sobre os outros assuntos ligados ao tema. Não se limite a ler sobre cupins, leia também sobre as brocas, mesmo que em sua empresa sejam poucos os casos envolvendo esses insetos. A leitura de diferentes artigos leva a uma melhor compreensão do assunto, e a corrigir e a desprezar informações erradas, assimiladas muitas vezes de notas e artigos pouco comprometidos com o rigor científico. O grau de conhecimento será a maior arma nos diversos momentos do trabalho, inclusive para perceber quando buscar a ajuda certa para um problema específico.


Como método auxiliar, sugiro sempre fazer, para o cliente, relatórios de inspeção bastante pormenorizados. Ao escrever, somos levados a refletir novamente, por exemplo, sobre as nossas sugestões e a sua perfeita compreensão pelo cliente, a prestar atenção nos detalhes do controle proposto, a nos resguardarmos de possíveis mal entendidos que a proposta poderia gerar e a analisar o problema de uma forma muito mais ampla do que apenas pelo lado comercial.


POL - O senhor gostaria de fazer mais algum comentário?

Prof. Lelis - Foi um grande prazer conceder esta entrevista e agradeço muito a gentileza do seu convite que considero um reconhecimento ao meu trabalho.


Se a minha memória não me trai, esta é a primeira vez que sou entrevistado para falar da minha vida profissional. Como venho do interior das Minas Gerais conservo o gosto especial para contar “causos” e por essa razão eu posso ter me estendido demais nas respostas.


Sempre esteve entre as minhas preocupações a transferência do conhecimento adquirido no laboratório e no campo para o mercado de controle em geral. Por essa razão sempre procurei publicar as descobertas que achava interessante para o setor. Entre outras ações com esse objetivo, conduzi no IPT, um projeto denominado “Transferência de Tecnologia” e organizei recentemente mesa redonda em um congresso, reunindo pesquisadores para falar dos seus trabalhos e descobertas para os controladores de pragas.


Assim, espero que, além de conhecer um pouco da vida profissional do Lelis, os controladores de pragas encontrem também nas minhas respostas alguma contribuição para o seu trabalho.


Obrigado, um grande abraço, e um feliz 2005 para todos.





Prof. Lelis, obrigado pela entrevista e muito sucesso!









COLUNA 04 - JOSÉ AGEL (MATABEM/GREEN PEST CONTROL)


José Agel


Nesta edição, o destaque da Coluna Gente, é José Agel, Diretor Presidente da Matabem / Green Pest Control.


A Matabem / Green Pest Control foi a primeira empresa do ramo de controle de pragas a conseguir um Certificado de Gestão de qualidade ISO 9002-1994 na América Latina, e posteriormente ser a primeira no mundo na nova versão da ISO 9001-2000.


Na sua opinião, para melhorar a imagem do controlador de pragas é necessário realizar um investimento na auto-valorização do trabalhos, promover uma carga maior de treinamentos para a capacitação dos profissionais e ter uma maior interação entre os fabricantes dos produtos com as empresas do ramo em todos os estados, facilitando o acesso às novas tecnologias de forma democratizada.


Em entrevista para o Pragas On-line, fala sobre a Matabem / Green Pest Control, experiências no mercado de controle de pragas e planos para o futuro.



ENTREVISTA



POL - Como nasceu a idéia de montar uma empresa de controle de pragas urbanas?

José Agel - Sempre estive envolvido com o comércio, procurando novos negócios, preferencialmente aqueles que não fossem muito disputados, e em um determinado momento meu pai que já tinha uma experiência maior e bem sucedida me deu um empurrãozinho, e aí estamos.


POL - Quais foram os nomes escolhidos e porque Matabem / Green Pest?

José Agel - Marcas, nomes também passam por fases, modismos, etc. foi assim também quando abri informalmente minha empresa. Já tinha este nome na minha cabeça e o meu pensamento era simples, fazer bem o objetivo da empresa.


Naquela época ainda era a conhecida DEDETIZAÇÃO, então formatei o nome Matabem Dedetizadora Química Ltda, quando utilizei para formatar o design da época 1980 - Matabem. Com a evolução e atualização dos métodos de controle de pragas, este nome se tornou agressivo e já não expressava as mudanças tecnológicas, para com as áreas de atuação da minha empresa, pois já estava se especializando no atendimento de indústrias de alimentos. Foi aí que partimos para uma nova marca Green Pest Control que evidenciava a redução das intervenções químicas nas áreas consideradas de riscos. Daí criamos um design que simbolizasse o controle das pragas de uma forma mais natural e dentro dos princípios de conservação do meio ambiente: o SAPO.


POL - Quais foram as principais vitórias que a Matabem/Green Pest conseguiu durante a sua história?

José Agel - Foram varias as vitórias que conseguimos com muito esforço de toda nossa equipe, dentre elas destacamos: escolhida a 2º melhor empresa em serviços do estado de Minas Gerais pelo programa excelência do Sebrae-MG, ser a primeira empresa do nosso ramo a conseguir um Certificado de Gestão de qualidade ISO 9002-1994 na América Latina, e posteriormente ser a primeira no mundo na nova versão da ISO 9001-2000. Também considero uma grande vitória possuir em nossa carteira de clientes empresas que são verdadeiros parceiros e estão há 21,20 e18 anos com os nossos trabalhos em operação, este fato nos da uma grande satisfação.


POL - Na sua opinião o que precisa ser feito para melhorar a imagem do controlador de pragas?

José Agel - Primeiro deve ser realizado um investimento na autovalorização de nossos trabalhos, colocando todas as atenções para as empresas que tem o foco exclusivamente no controle de Pragas, fortalecendo nosso mercado. Facilitar os acessos da empresas de todas as regiões do Brasil, de forma que estas estejam em sintonia com o mercado nacional e internacional, promover uma carga maior de treinamentos para a capacitação dos profissionais e ter uma maior interação entre os fabricantes dos produtos com as empresas do ramo não apenas nas capitais de referência (RJ e SP), mas em todos os estados, facilitando o acesso às novas tecnologias de forma democratizada.


POL - Quais são os objetivos de longo prazo da Matabem?

José Agel - Ter uma atuação mais forte, nos estados do Norte do País.


POL - Em que segmentos a empresa atua no mercado de controle de pragas?

José Agel - Temos segmentos bem distintos. A Matabem que ainda possui um nome e uma historia muito forte e atua nas áreas residenciais e comerciais, já a Green atua especificamente nos mercados de Indústrias alimentícias , Farmacêuticas e de Grãos armazenados.


POL - A empresa faz algum trabalho social?

José Agel - Sim, sempre realizamos ações de cunho social dentro da nossa realidade, mas não somos a favor da divulgação destes trabalhos, pois isto tornou uma ferramenta de marketing para algumas empresas, simplesmente fazemos.


POL - A Matabem tem foco prioritário em Minas Gerais e Goiânia. Você tem planos de expansão? Em caso positivo, irá optar por franquias ou filiais?

José Agel - Realmente temos uma atuação mais forte nestas regiões, pelo simples motivo de estarmos estrategicamente situados em 05 cidades consideradas pólo no centro do país, mas nosso foco prioritário esta no cliente. Esteja onde ele estiver, se quiser receber nossos trabalhos iremos prazerosamente atendê-los.


Não temos sistema de franquias e nem filiais, nosso modo de expansão é focado na parceria com profissionais que evidenciam potenciais claros de atendimento diferenciado para novas praças.


POL - Sabemos que você tem uma exposição muito grande ao que há de mais novo no mercado, conhecimento este adquirido em viagens para os Estados Unidos. Como compararia a Green Pest hoje com as empresas Norte Americanas?

José Agel - O que sempre estamos fazendo é nos aproximar ao máximo do mercado americano, que sem duvida é o melhor do mundo em nosso ramo, com medidas simples de serem realizadas. Temos parcerias com empresa americana e afiliação em associações internacionais, onde acompanhamos tudo o que acontece no mercado norte americano e mundial, desde os lançamentos de produtos, equipamentos, legislação até rotinas e procedimentos operacionais para a realização de serviços. Por estes e outros motivos podemos afirmar que possuímos serviços prestados muito próximos tecnicamente aos das grandes empresas americanas.


POL - Quais são as principais necessidades do mercado mineiro?

José Agel - Acredito que as necessidades do mercado mineiro é a mesmo de todos: ter prestadores de serviços focado na excelência de seus atendimentos.


POL - Como o senhor avaliaria o mercado de controle de pragas em geral e particularmente em Minas Gerais. A competição é sadia ou ainda existe muita informalidade?

José Agel - No meu ponto de vista todo mercado tem suas particularidades, Minas não seria diferente. O que diferencia por aqui são as ações das empresas, pois o que temos é mais difícil de combater é o mercado informal que consegue atender facilmente as Legislações de nosso estado. Com isto, nosso mercado fica vulnerável as estas empresas que trabalham tecnicamente na informalidade de maneira formal, eu tenho o costume de dizer que isto é a informalidade camuflada.


POL - Se tivesse que dar um conselho a quem se inicia neste segmento, o que diria?

José Agel - Conselho é muito difícil: o que digo sempre é que qualquer segmento procura empresas que respeitam seus clientes. Portanto coloque no seu investimento a base do sucesso, que são: Respeito, Compromisso e a Integração com o mercado.


POL - Quais são os planos da Green Pest para 2005?

José Agel - Em 2005 teremos um ano especial, pois estamos finalizando nosso projeto para a construção de nossa nova sede. A primeira fase, foi conhecermos algumas sedes de empresas nos E.U.A, que já finalizamos. Agora estamos adaptando com a nossa realidade e particularidades do nosso país e principalmente de nossa região.


POL - Finalmente, o você gostaria de comentar algo mais?

José Agel - Gostaria de tornar público o que já lhe afirmei a respeito de sua colaboração para com nosso mercado através do Pragas On-line. Mais uma vez afirmo que, este meio de divulgação que nos foi ofertado por sua empresa, contribui de maneira significativa para o fortalecimento de nosso mercado de trabalho. Aproveito também para pedir a todas as associações que trabalhem com a finalidade de estreitar mais ainda as parcerias com as empresas que atuam exclusivamente com o controle de pragas e que deixem de incrementar atividades outras que utilizam nossos trabalhos como serviços agregados. Um grande abraço.





José Agel, obrigado pela entrevista e muito sucesso!









COLUNA 05 - ANTONIO BATISTA FILHO (INSTITUTO BIOLÓGICO)


Dr. Antonio Batista Filho


Nesta edição, o destaque da Coluna Gente, é o Dr. Antonio Batista Filho, Diretor Geral do Instituto Biológico de São Paulo.


O Dr. Antonio Batista é Engenheiro Agrônomo na área de entomologia, trabalhando na parte de controle biológico de insetos e pragas agrícolas.


Na sua opinião, o Instituto Biológico é uma Instituição voltada para a sanidade animal e vegetal dos agronegócios e que se preocupa com o meio ambiente, sendo de grande importância para o Estado de São Paulo.


Em entrevista para o Pragas On-line, fala sobre o Instituto Biológico e experiências na área de pesquisas em controle de pragas.



ENTREVISTA


POL - Qual a sua formação?

Dr. Antonio Batista - Engenheiro Agrônomo atuando na área de entomologia.


POL - Que tipo de trabalho o senhor desenvolveu ou desenvolve enquanto pesquisador do IB?

Dr. Antonio Batista - Trabalhei na área de controle biológico de insetos pragas agrícolas, especificamente utilizando fungos e vírus.


POL - Existe algum caso de sua pesquisa que o senhor gostaria de comentar?

Dr. Antonio Batista – Atuei no desenvolvimento de formulações de vírus para controle da lagarta da soja além do controle biológico, com o uso de fungos, para as seguintes pragas: moleque da bananeira, cigarrinha das pastagens, percevejo de renda da seringueira entre outros.


POL - Quando o senhor assumiu o cargo de Diretor Geral do Instituto Biológico?

Dr. Antonio Batista – Assumi o cargo em 17 de fevereiro de 2004, portanto cerca de 13 meses.


POL – Como tem sido esta experiência?

Dr. Antonio Batista – Tem sido muito boa. Aprende-se muito e entende-se o processo como um todo. Deixamos de olhar para dentro e temos uma visão holística da Instituição.


POL – O senhor já esteve em outros cargos de direção antes?

Dr. Antonio Batista – Sim. Fui Chefe da Seção de Controle Biológico das Pragas e Diretor do Centro Experimental do Instituto Biológico, ambas Unidades do Instituto Biológico sediadas em Campinas.


POL – Fale-nos um pouco sobre o Instituto Biológico.

Dr. Antonio Batista – É uma Instituição voltada para a sanidade animal e vegetal dos agronegócios além da preocupação com o meio ambiente. Tem importância estratégica para o Estado de São Paulo haja visto que as barreiras sanitárias são, atualmente, as que conferem limitações a exportação de nossos produtos agrícolas. Há quase 80 anos o Instituto Biológico produz ciência e serviços para garantir a competitividade de nossa agropecuária.


POL – O Instituto Biológico vem atuando ativamente na área de pragas urbanas nos últimos anos, o que em tempos anteriores não o fazia. Como o senhor vê esta nova área de pesquisa do Instituto Biológico?

Dr. Antonio Batista – É um nicho importantíssimo e que deve ser visto com muita atenção pelo Instituto Biológico, principalmente pela importância que tem e também pelo fato da Instituição possuir em seus quadros excelentes especialistas nessa área.


POL - A contribuição do Instituto Biológico no estudo de formigas, cupins e baratas está bem consolidado. Existem perspectivas de novas áreas de atuação em Pragas Urbanas?

Dr. Antonio Batista – O IB atua também em pesquisa e prestação de serviços com moscas,carrapatos, pulgas e pragas dos grãos armazenados. Testes de produtos domissanitários também são realizados com mosquitos. Além disso, as pesquisas têm sido direcionadas para o controle biológico das diferentes pragas, incluindo uso de fungos entomopatogênicos. Extratos vegetais tóxicos aos diferentes organismos pragas também têm sido avaliados.


POL – Sabemos que o Instituto Biológico é forte em pesquisa e prestação de serviços. Que tipo de contribuição o Instituto Biológico poderia dar aos órgãos governamentais para melhorar este setor?

Dr. Antonio Batista – O IB pode subsidiar o governo com propostas para formulação de políticas públicas voltadas para o setor.


POL - Para este ano o Instituto Biológico tem planos de promover novos cursos e treinamentos em Pragas Urbanas?

Dr. Antonio Batista – Nos dias 15 e 16 de junho o IB promoverá o V Encontro de Vetores e Pragas: Uso Racional de Produtos Domissanitários em Ambiente Urbano.


Em Julho ocorrerá o Simpósio sobre Manejo de Pragas na Arborização Urbana. Nos dias 20 e 21 de setembro, em Ribeirão Preto, haverá a RIFIB Pragas Agroindustriais (Reunião Itinerante em Fitossanidade do Instituto Biológico) Durante a 17a. RAIB (Reunião Anual do Instituto Biológico) será promovido um Simpósio sobre Pragas Urbanas. No final do ano (Novembro ou Dezembro) o 4o. Curso de Pragas e Doenças em Plantas Ornamentais.


POL – Finalmente, o senhor gostaria de comentar algo mais?

Dr. Antonio Batista – Desejaria enfatizar que o Instituto Biológico está sintonizado com as necessidades de nossa sociedade e aberto a parcerias que promovam o desenvolvimento de nosso Estado.





Os técnicos do Instituto Biológico sempre colaboraram com o Site Pragas On-Line na confecção de textos, inclusive na parceria da publicação do CD Insetos e Aracnídeos no Ambiente Urbano. O Pragas On-Line agradece imensamente esta contribuição e acreditamos que muitas outras parcerias poderão surgir.









COLUNA 06 - GILDO JOSÉ DA SILVA (SANEX)


Sr. Gildo


Nesta edição, o destaque da Coluna Gente, é o Sr. Gildo, Diretor Presidente da Sanex.


A Sanex foi uma das pioneiras a investir em tecnologia e capacitação no setor de controle de pragas em Salvador.


Na sua opinião, o segmento de controle de pragas deveria ter mais fiscalização contra a clandestinidade, para que as empresas devidamente legalizadas possam ter reconhecimento e retorno.


Em entrevista para o Pragas On-line, fala sobre a Sanex, as experiências no mercado de controle de pragas e planos para o futuro.



ENTREVISTA


POL - Como e porque o Sr. entrou na área de Controle de Pragas?

Sr. Gildo – Em 1973 após ser transferido para Salvador, para trabalhar no projeto do patrulhamento aéreo das 200 milhas marítimas, tinha a intenção de ficar na Bahia no máximo doze meses, como minha formação é de engenheiro mecânico. Ao visitar um amigo diretor da Ceman (Central de Manutenção) no Pólo Petroquímico em Camaçari, eu o encontrei com um problema, onde uma ratazana de esgoto havia entrado em um painel eletrônico de uma das máquinas, e provocou um curto circuito, danificando todo o equipamento avaliado em U$ 4.000. Observei que não existia na época ainda uma empresa especializada no Controle de Vetores e Pragas com tecnologia para evitar tais prejuízos, o que existia na época eram empresas que colocavam um raticida chamado (mil e oitenta) e davam uma garantia de 06 meses ao cliente. Diante desta necessidade, resolvi implantar uma empresa com tecnologia e capacitação neste setor, os motivos da criação da Sanex podem ser lidos no site da Sanex, clicando em “a empresa”.


POL - Como surgiu o nome Sanex?

Sr. Gildo – O nome Sanex surgiu de um amigo do Rio de Janeiro, Dr. Jader Nogueira, que quer dizer Sanear e Imunizar.


POL - Quais foram as principais vitórias que a Sanex conseguiu durante a sua história?

Sr. Gildo – Durante as quase três décadas de existência da Sanex, houve várias vitórias, poderia citar: investimentos no setor de Indústria de Plásticos, primeiro com fabricação de garrafas plásticas e depois com sacolas plásticas e em usinagem mecânica, a principio suprindo suas necessidades de manutenção das próprias máquinas e posteriormente especializando-se em confecções de moldes para embalagens plásticas, paralelamente com isso a Sanex também investiu em Construção Civil, tendo isso alcançado inúmeras vitórias.


POL - Quais os segmentos na área de controle de pragas que a Sanex atua?

Sr. Gildo – Nós atuamos em todas as áreas de Controle e Manejo de Vetores e Pragas, porém nos últimos anos temos investido bastante em tecnologia para Controle de Cupins, pois entendemos que esta será a praga do século, tanto na área urbana como no campo.


POL - Que estimativa o Sr. faz sobre o tamanho deste setor no Brasil, na Bahia e Nordeste?

Sr. Gildo – É quase impossível fazer hoje uma estimativa sobre o tamanho deste setor no país. Até os Papas Defuntos tem um referencial estatístico no IBGE, e este setor não movimenta nem 1/3 do que movimenta o segmento de Controle de Pragas. Nós não temos ainda este reconhecimento para que possamos fazer esta estimativa (existe uma luz piscando no fim do túnel através do PHCFOCO em direção a esta conquista).


POL - Como o Sr. avalia o mercado de controle de pragas em geral e particularmente na Bahia. A competição é sadia ou existe muita formalidade?

Sr. Gildo – Em toda Salvador existem cerca de 400 empresas de Controle de Pragas atuando no mercado. Quando o Dr. Eugênio assumiu a Secretaria de Saúde do Município de Salvador, formamos uma comissão na ABC Prag (Associação Baiana de Empresas Controladoras de Pragas) onde fomos dar as boas vindas ao secretário. Naquela oportunidade ficamos sabendo do número de mais de 400 empresas não regularizadas. E existem apenas 16 registradas e legalizadas pela Vigilância Sanitária. Diante dos fatos, é possível analisar a desigualdade na competição e a informalidade que não é privilégio só da Bahia, mas de todo o Brasil.


POL - Quais as principais necessidades do mercado Baiano?

Sr. Gildo – Eu diria de todo o mercado brasileiro, 1º fiscalização, 2º fiscalização e 3º fiscalização. Com isso sobraria mercado de trabalho para todas as empresas que recolhem impostos, pois o mercado é bem maior que o número de empresas (legalizadas). Existem clientes em potencial que ainda não foram descobertos neste imenso mercado.


POL - Como avaliar o crescimento do seu negócio? O Sr. está satisfeito com o mercado de controle de pragas?

Sr. Gildo – Infelizmente o crescimento da Sanex aconteceu diversificando, quando poderia ter crescido apenas no ramo de Controle de Pragas. Não podemos estar satisfeitos com um mercado que só somos reconhecidos para recolher impostos para os cofres dos governos, até mesmo depois de atuar no mercado legalizado durante quase três décadas. Ainda ficamos pelos corredores solicitando uma visita da Vigilância Sanitárias, que está totalmente desequipada para renovar Alvarás de Licença e Funcionamento, e muitas vezes deixamos de receber faturas de novos clientes, que devido a clandestinidade, vinculamos aos contratos a apresentação do alvará atualizado (que leva quase um mês para ser liberado), e isso acontece não por culpa da empresa, mas por falta de viatura para a Vigilância deslocar um fiscal até a empresa.


POL - Na sua opinião, quais são os maiores concorrentes das empresas controladoras de pragas?

Sr. Gildo – São inúmeros. Vai desde a venda indiscriminada e criminosa de produtos profissionais até a falta de profissionalismo das empresas dentro de um mercado de incalculável tamanho. Mas o maior concorrente é sem dúvida a falta de fiscalização e a liberação de determinados produtos vendidos em supermercados, mesmo em detrimento da saúde do povo.


POL - Na sua opinião, quais os principais desafios, que deverão ser superados por este setor?

Sr. Gildo – Acho que o principal desafio é a atuação dos profissionais da área que mesmo sendo bastante primitiva, em relação a grande economia de primeiro mundo já estamos vendo com grande otimismo, surgirem empresas que estão acreditando nesta qualificação, que em longo prazo vamos ter um segmento reconhecido dentro da importância que ele representa dentro da sociedade, daí quem não investir em qualidade, irá ficar pra trás.


POL - Na sua opinião, o que precisa ser feito para melhorar a imagem do controlador de pragas?

Sr. Gildo – Primeiro, que os empresários do setor considerem-se concorrentes e não inimigos. Como exemplo, atuo no mercado de transformador de plásticos, somos extremamente unidos, mesmo quando oferecemos a venda dos nossos produtos ao governo. Quando ocorrer isso com os empresários de Controle de Pragas e Vetores, haverá um mercado do tamanho do setor. O segundo fator está na fiscalização, pois para ser um empresário do setor de plástico é necessário no mínimo um investimento de R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais), e (para ser um piceu) de empresário da área de controle de pragas basta comprar uma bomba costal e um litro de veneno (e sair envenenando todo mundo). Esta é a diferença entre os dois setores. Com a fiscalização e a educação da sociedade tudo irá mudar.


POL - O Sr. acha que os produtos e equipamentos existentes no mercado atendem plenamente as necessidades dos profissionais da área?

Sr. Gildo – Absolutamente não, pois ainda temos que importar produtos de qualidade do primeiro mundo e não há incentivo fiscal nenhum, pois nós não temos uma referência estatística dentro do governo. Um setor que movimenta, segundo a Análise Setorial Vetores e Pragas 2004 mais ou menos R$ 650.000.000 (seiscentos e cinquenta milhões) por ano.


POL - Quais são os objetivos em longo prazo da Sanex?

Sr. Gildo – Estamos acreditando em algo bastante significativo, pois tenho a intenção de transformar a Sanex em uma fundação.


POL - A Sanex faz algum trabalho social?

Sr. Gildo – A Sanex tem projetos sociais totalmente diferentes das outras empresas. Temos creche com escola para 25 crianças, ajudamos um instituto de recuperação de dependentes químicos oriundos da família evangélica, mantemos também um grupo de deficientes visuais, ajudamos também ume pequena colônia de pescadores de água doce, tudo isso sem descontar do imposto de renda da empresa como todos fazem, isso não é obra social e sim uma maneira de usar o dinheiro não recolhido ao governo. Já que o governo não o faz, para nós a obra social é mesmo que caridade, não pode deixar que a mão esquerda veja o que faz a direita.


POL - Se tivesse que dar um conselho a quem se inicia neste seguimento, o que daria?

Sr. Gildo – Quem se inicia neste seguimento não precisa de conselho, eles já se acham empresários pela parte relatada nesta entrevista. Mesmo assim eu diria que é um segmento para pessoas extremamente capazes, pois, os amigos que crescem neste segmento são todos de um coeficiente de inteligência elevada, os outros só atrapalham. No Brasil existe cerca de 15000 informal por falta de inteligência.


POL - Finalmente o Sr. gostaria de comentar algo mais?

Sr. Gildo – Primeiro parabenizar vocês pela iniciativa de destacar empresários de um setor que mesmo contribuindo decisivamente em todos os setores da sociedade foi durante bastante tempo ignorado até mesmo pelo governo em todos os estágios e em segundo, agradecer pela lembrança.









COLUNA 07 - VALDIR STÉDILE (SYNGENTA)


Sr. Valdir Stédile


Nesta edição, o destaque da Coluna Gente, é o Sr. Valdir Stédile, Gerente da Linha de Produtos Saúde Pública, representa o segmento no negócio de fabricação de produtos domissanitários, através da área Produtos Profissionais da Syngenta no Brasil.


A Syngenta é uma empresa líder mundial na área de agribusiness, comprometida com o desenvolvimento da agricultura sustentável através de pesquisas e tecnologias inovadoras. A companhia ocupa a terceira posição no ranking do mercado de sementes de alto valor agregado. As vendas em 2004 foram de aproximadamente US$ 7,3 bilhões. A empresa emprega mais de 19 mil pessoas em cerca de 90 países. A Syngenta está listada nas Bolsas de Valores da Suíça (SYNN) e de Nova York (SYT).


Em entrevista para o Pragas On-line, fala sobre sua carreira e sobre as expectativas da empresa no setor de controle de pragas urbanas.



ENTREVISTA


POL -Valdir faça um pequeno histórico da sua formação. Qual é o seu cargo atual e quais são suas responsabilidades?

Valdir Stédile - Eu sou formado em medicina veterinária pela Universidade Federal de Santa Maria – RS – e há 25 anos atuo na área comercial de raticidas e inseticidas. Atualmente exerço a função de Gerente da Linha de Produtos Saúde Pública, dentro da estrutura de Produtos Profissionais Syngenta, sendo responsável pela estrutura comercial do Brasil e da América Latina.


POL - Como está organizada a área de Saúde Pública na Syngenta?

Valdir Stédile - Sempre evoluindo e aprimorando nossas divisões, Produtos Profissionais é uma nova área de negocio da Syngenta, composta pelos negócios de Tratamento de Sementes e Saúde Pública. Em Saúde Pública estão reunidos os mercados de Controle de Vetores, Manejo Profissional de Pragas, Grãos Armazenados, Instalações Rurais e Casa & Jardim.


A Saúde Publica conta com uma equipe de profissionais especializados, formada por agrônomos, biólogos e veterinários, pronta para atender ás necessidades do mercado, no controle de pragas urbanas e rurais.


POL - O que podemos esperar da Syngenta para o setor domissanitário no Brasil?

Valdir Stédile - A tradição, tecnologia, qualidade e inovação sempre presentes na nossa linha de produtos PCO - destinados ao manejo integrado de pragas. A área de Produtos Profissionais, através do negócio Saúde Pública, reflete a importância que a Syngenta dá ao setor de domissanitários, sempre investindo em tecnologia para obter melhores resultados com maior eficácia e segurança.


POL - Em 2002 durante a Expoprag o Pragas On-line fez a primeira pesquisa sobre uso de domissanitários no Brasil e o Demand 2,5 CS foi o produto mais lembrado pelos controladores de pragas, sendo considerado o produto Top of Mind. A que você atribui este sucesso do Demand em tão pouco tempo?

Valdir Stédile - Acredito que o sucesso de ‘Demand 2,5 CS’ se deve a inúmeros fatores, dentre eles posso citar a sua inovadora formulação microencapsulada desenvolvida para os controladores de pragas mais exigentes em qualidade. O ingrediente ativo é encapsulado em uma membrana especial, protegido, e libera lentamente o inseticida, prolongando a ação do produto. Ele oferece ao controlador de pragas, efeito residual com a segurança que o produto apresenta reduzindo o risco ao aplicador e às pessoas que habitam o local da aplicação.


POL - A Syngenta lançou recentemente o Demand 10 CS, qual é o posicionamento deste produto em relação ao Demand 2,5 CS. Que mercados a Syngenta espera atingir com este novo produto?

Valdir Stédile - O Demand 10, assim como o Demand 2,5 é um produto extremamente econômico e eficaz, mas o Demand 10 foi criado essencialmente para as PCO’s que realizam tratamento em grandes áreas. Para esse tipo de situação a utilização de Demand 10 é a melhor opção, uma vez que a calda pode ser preparada com uma quantidade menor de produto, proporcionando mais economia e a melhor relação custo X benefício por área tratada.


POL - Além do Demand 10 CS, a Syngenta esta planejando lançar outros produtos?

Valdir Stédile - A Syngenta sempre foi marcada pela inovação e trabalha constantemente na busca de produtos e serviços cada vez mais adaptados às necessidades do consumidor. No momento, porém, não há previsão imediata de novos lançamentos.


POL - Que estimativa você faria sobre o tamanho deste setor no Brasil e o seu crescimento nos próximos anos?

Valdir Stédile - Apesar de não ter números concretos, eu diria que o setor tem potencial para crescer mais. Um grande passo, embora ainda em estágio inicial, é o aumento de empresas controladoras de pragas filiadas a alguma associação, o passo seguinte seria a unificação e a hierarquização dessas associações, profissionalizando o setor no Brasil. Nosso crescimento para os próximos anos está intimamente relacionado com as PCO’s, afinal são elas quem há tanto tempo utilizam e recomendam nossos produtos no controle das pragas.


POL - Temos notado que a maioria das empresas fabricantes de produtos domissanitários esta cada vez mais incrementando suas linhas de produtos de venda livre. A Syngenta está planejando atuar mais fortemente neste segmento lançando outros produtos além dos raticidas Klerat, Ratak 10 e Ratex?

Valdir Stédile - O lançamento de Ratex, de certa forma também segue essa tendência, mas o nosso intuito é o fortalecimento de nossa posição no mercado como um todo, buscando cada vez mais desenvolver novas soluções e produtos para o profissional controlador de pragas.


POL - Como você vê a EXPOPRAG e quais os resultados que conseguiu na última edição, em 2004?

Valdir Stédile - R: A Expoprag é o evento mais importante do setor e para nós não é diferente. O principal resultado que conseguimos em 2004, foi a lembrança da nossa área de negócios Produtos Profissionais pelos controladores de pragas


POL - Na sua opinião, quais os principais desafios que deverão ser superados por este setor?

Valdir Stédile - A organização, a unificação das associações e a profissionalização. Empresas cada vez mais capacitadas vão exigir produtos de qualidade para atender às suas necessidades e produtos de qualidade é o que temos a oferecer.


POL - Finalmente, você gostaria de comentar algo mais?

Valdir Stédile - Somente quero agradecer ao espaço cedido e àqueles que estão sempre visitando a página do Pragas Online e optando pela qualidade de nossos produtos. Quero também, colocar a disposição de todos o número da nossa CASA (Central Avançada Syngenta de Atendimento): 0800 704 4304. Nela, nossos consumidores podem esclarecer dúvidas técnicas e conhecer um pouco mais nossa linha de produtos.


POL - Valdir obrigado pela entrevista, desejamos sucesso para você e para a Syngenta e gostaria de colocar o Pragas On-line à sua inteira disposição.

Valdir Stédile - Gostei da entrevista. Estamos a postos para outras oportunidades que, com certeza, surgirão.


POL - Aproveitando a oportunidade, gostariamos de agradecer mais uma vez pelo apoio da Syngenta, que foi muito importante para a consolidação da imagem do Pragas On-line, hoje considerado a principal fonte de referência sobre este assunto em língua portuguesa.

Valdir Stédile - Muito Obrigado e Sucesso para vocês!









COLUNA 08 - DRA. ANA EUGÊNIA DE C. CAMPOS-FARINHA (INSTITUTO BIOLÓGICO)


Dra. Ana Eugênia


Nesta edição, o destaque da Coluna Gente, é a Dra. Ana Eugênia de C. Campos-Farinha, pesquisadora científica e assistente técnico de direção do Instituto Biológico de São Paulo.


O Instituto Biológico tem como missão desenvolver e transferir conhecimento científico e tecnológico para o negócio agrícola nas áreas de sanidade animal e vegetal, visando a melhoria da qualidade de vida da população e de suas relações com o meio ambiente. Além disso, o Instituto Biológico presta serviço de identificação de insetos, além de sugerir o controle mais adequado para cada caso.


Em entrevista para o Pragas On-line, a Dra. Ana Eugênia fala sobre sua carreira, formigas, e sua participação na 5º Conferência Internacional sobre Pragas Urbanas - 2005, realizado em Cingapura.



ENTREVISTA


POL - Qual a sua formação?

Ana Eugênia - Sou bióloga formada na Universidade Federal de Uberlândia. Fiz minha pós-graduação (mestrado e doutorado) na UNESP de Rio Claro, Estado de São Paulo, em Zoologia.


POL - Qual é a sua atividade profissional?

Ana Eugênia - Trabalho como pesquisadora científica na sede do Instituto Biológico que fica na cidade de São Paulo. Desde março de 2004 estou como assistente técnico de direção da Instituição.


POL - Conte-nos sobre a sua área de atuação como pesquisadora.

Ana Eugênia - Trabalho com formigas urbanas avaliando os aspectos da bioecologia das diferentes espécies, seu comportamento e controle, químico e biológico. Esta última linha de pesquisa, o controle biológico de formigas, está iniciando.


POL - Que tipo de contribuição um pesquisador científico como você dá para a sociedade?

Ana Eugênia - Como comentei, atuo na pesquisa básica e aplicada. Estas duas áreas se complementam e os resultados das minhas pesquisas e dos meus alunos, tanto de iniciação científica, quanto de pós-graduação, dão subsídios para um controle sustentado das formigas urbanas, uma vez que sem o conhecimento da biologia das espécies, o controle está fadado ao insucesso. Além disso, como pesquisadora científica transmito a informação através de cursos e treinamentos, que venho fazendo com freqüência ao longo dos anos, bem como através das publicações, sejam elas como artigos científicos, onde o público alvo são os alunos e outros cientistas, como textos de divulgação em diferentes revistas de linguagem para o público leigo.


POL - O que o público leigo deve saber sobre formigas urbanas?

Ana Eugênia - Deve saber que além de incômodo, as formigas são indesejáveis em ambientes hospitalares e de alimentação, uma vez que veiculam microrganismos patogênicos, como bactérias e fungos. Algumas espécies podem infestar equipamentos eletrônicos e outras podem picar dolorosamente, podendo ocasionar riscos à saúde de pessoas alérgicas, principalmente crianças. Me refiro, principalmente, as formigas lava-pés, que devem ser criteriosamente controladas em creches, escolas e parques de diversão.


POL - Caso alguém queira obter informações sobre qual espécie ocorre em sua residência e como controlá-la, qual o procedimento a ser tomado?

Ana Eugênia - O Instituto Biológico presta serviço de identificação de insetos, além de sugerir o controle mais adequado para cada caso. Para tanto, o consulente deve encaminhar as formigas em frascos com álcool para a Triagem Vegetal. É importante que o frasco esteja etiquetado com as informações de local da coleta, data e nome do coletor, escritos à lápis. Maiores informações sobre custo e endereço, podem ser acessados no www.biologico.sp.gov.br.


POL - Você (esteve na 5a. Conferência Internacional sobre Pragas Urbanas (5th International Conference on Urban Pests-ICUP) ocorrida de 10 a 13 de julho em Cingapura. Fale-nos um pouco sobre o evento.

Ana Eugênia - O evento foi muito bem organizado e o fato de escolherem a Ásia para a realização da conferência foi bastante interessante. O continente asiático abriga algumas das cidades mais populosas do planeta, sendo que a população urbana da região Leste deste continente cresce aproximadamente 10% a cada década. Como a qualidade de vida é medida pela qualidade das cidades e uma parte significativa desta qualidade é medida pelo controle das pragas urbanas, os entomologistas urbanos da Ásia têm um papel fundamental nesta questão.


Profissionais de todo o mundo das áreas de pragas urbanas, incluindo os da saúde pública, foram recebidos no evento. Cingapura, que se localiza na ponta da Península da Malásia, é um país moderno e em desenvolvimento, que reflete os aspectos chaves do crescimento e desenvolvimento do século 21.


As quatro conferências anteriores foram realizadas na Europa e América do Norte: Cambridge 1993, Edimburgo 1996, Praga 1999 e Charleston, EUA em 2002.


POL - Quantas pessoas participaram desta Conferência e qual o número de trabalhos apresentados?

Ana Eugênia - Foram 280 participantes de 30 países. Haviam pesquisadores científicos, controladores de pragas urbanas, pessoal da indústria de pesticidas e funcionários de órgãos governamentais. Foram apresentados 76 trabalhos orais e 45 pôsteres, sendo que todos eles estão impressos nos Anais da Conferência, além de estarem copiados em CD Rom.


POL - Quais foram os tópicos discutidos no evento?

Ana Eugênia - Estratégias de manejo de formigas, baratas e cupins, controle de vetores de doenças, aversão de iscas pelas baratas alemãs e comportamento de forrageamento de cupins.


POL - Dentre estes tópicos, houve algum que lhe chamou mais a atenção?

Ana Eugênia - As abordagens foram muito interessantes, mas uma em especial mostrou como a pesquisa básica tem um impacto importante na indústria. O título da conferência foi A importância da identificação precisa de cupins na perspectiva geral do manejo destes insetos de Laurence G. Kirton do Forest Research Institute Malaysia em Kuala Lampur, Malásia. O pesquisador discutiu sobre a identificação correta das espécies pragas do gênero Coptotermes (cupim subterrâneo), originário do Sudeste da Ásia, que foi largamente dificultada pela confusão sobre a identidade das principais espécies pragas, contida na literatura. Foi mostrado recentemente que existe uma única espécie de Coptotermes, que é C. gestroi, e não três espécies como pensava-se anteriormente, ocorrendo do nordeste da India, Burma, Tailândia, Malásia e no arquipélago da Indonésia. Como resultado, a espécie uma vez conhecida por C. havilandi, que se pensava ter sido introduzida a partir desta região para a América do Norte, Brasil e diversos outros países, deveria ser C. gestroi. C. havilandi é agora conhecida por ser uma espécie que habita florestas que não foi registrada infestando apartamentos na Península da Malásia ou qualquer outra área. A espécie praga verdadeira é nestas áreas geográficas é C. gestroi, que pensava-se anteriormente ocorrer somente na Tailândia, Burma e nordeste da India. As incertezas continuam a existir como o status de diversas espécies semelhantes de C. havilandi, tais como C. vastator nas Filipinas e C. heimi na India. Estes problemas levaram a indústria a entender que mais de uma espécie de cupim subterrâneo ocorria nas diferentes regiões do mundo, mas hoje sabe-se que C. gestroi é a predominante.


POL - Existe a possibilidade deste evento ocorrer no Brasil?

Ana Eugênia - Sim, na verdade, já está agendado para ser realizado em São Paulo em 2011. Em 2006 será em Budapeste, Hungria.


POL - Finalmente, você gostaria de comentar algo mais?

Ana Eugênia - Gostaria de agradecer ao Pragas On-Line por participar deste quadro de entrevistas e aproveitar para parabenizá-los do excelente trabalho na divulgação de conteúdo confiável sobre Pragas Urbanas.





Ana obrigado pela entrevista, desejamos sucesso para você e para o Instituto Biológico e gostaria de colocar o Pragas On-line à sua inteira disposição.