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31/08/2005 - Por dentro da tribo




No grupo, Maurício Bacci Júnior encarregou-se do estudo gênico. Analisou a evolução da tribo Attini, que tem cerca de 200 espécies, das quais as mais evoluídas são as saúvas (14 espécies do gênero Atta) e as quenquéns (gênero Acromyrmex ). A partir do estudo, ele propõe a existência de uma nova espécie de formiga cortadeira, derivada da Atta sexdens , e descreve variedades genéticas em outras espécies. Também identificou, na escala evolutiva das Atta , a parente mais próxima da sexdens que não tem sido relatada como praga, embora também coma matéria vegetal fresca: é a Atta robusta : Sua ocorrência se limita aos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo, ao contrário da Atta sexdens , que ocorre em todo o país. Assim, estudos comparativos entre as duas espécies podem identificar as características que tornaram a Atta sexdens uma praga.


Bacci analisou genes nucleares e mitocondriais para distinguir as formigas. Para isso selecionou marcadores moleculares a partir do seqüenciamento de DNA. Entre esses marcadores, uma região do genoma mitocondrial mostrou-se extremamente útil. Enquanto dois genes permitem estabelecer relações evolutivas entre diferentes gêneros e espécies, com a região escolhida se pode diferenciar populações da mesma espécie que vivam em regiões diferentes.


Outra descoberta dele refere-se aos fungos. Depois de juntar 18 fungos usados por diferentes formigas cortadeiras, Bacci estudou suas características. A comparação entre seqüências de DNA ribossomal sugere que eles são geneticamente semelhantes. Esses resultados demonstram que formigas que apresentam diferenças de hábitos, preferências alimentares e ocorrência como pragas agrícolas sobrevivem a partir de fungos idênticos. Dessa forma, esses fungos tornam-se alvos preferenciais para o controle das formigas cortadeiras, pois, provavelmente, o mecanismo de controle que atingir um fungo será eficiente para combater a maioria delas.




Fonte: Revista FAPESP nº74 - 2002



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