Destaques

04/04/2007 - Feromônios e afrodisíacos na seda



Os machos das aranhas fazem o que muitos homens e mulheres gostariam de poder fazer. Eles conquistam as fêmeas com afrodisíacos, sabem se uma fêmea é virgem sem sequer tocá-la e identificam, por pistas deixadas pela própria fêmea, se esta é grande ou pequena e mesmo se é uma adulta bem nova ou mais idosa. Essa elaborada comunicação química – baseada nos feromônios – ajuda os indivíduos de diversas espécies de aranhas a assegurar a transmissão de seus genes para as gerações futuras.


A busca das palavras aphrodisiac ou pheromone na internet revela a existência de milhares de páginas com cada uma delas. Muitas dessas páginas vendem produtos que prometem ajudar as pessoas a conquistar um parceiro sexual. Essa idéia pode ser bastante atraente, mas – felizmente para os que consideram a ‘cantada’ a maneira mais gostosa de conquistar – não há provas científicas de que esses produtos de fato funcionem, de acordo com o livro Pheromones and animal behaviour ( Feromônios e comportamento animal ), do biólogo Tristam D. Wyatt, da Universidade de Oxford (Inglaterra). Embora existam evidências de que o odor possa atuar na comunicação entre seres humanos, ainda não se conseguiu isolar ou sintetizar, em pílulas ou perfumes, nenhum feromônio humano eficaz.


Enquanto aguardamos o avanço da ciência nesse sentido, por que não olharmos como os afrodisíacos e outros feromônios atuam em animais? As aranhas são um grupo interessante nesse aspecto, até porque muitos leitores talvez não imaginem que esses temidos animais possam se envolver em curiosos jogos sexuais.


O que são feromônios?

Já que o texto vai tratar de feromônios e afrodisíacos de aranhas, cabe primeiro explicar esses termos. Um feromônio é um composto químico empregado na comunicação entre animais da mesma espécie. Se utilizado para fins reprodutivos, diz-se que é um feromônio sexual. Já um afrodisíaco pode ser definido como um tipo de feromônio sexual que o macho oferece para a fêmea após eles já terem se encontrado e que aumenta a probabilidade de eles acasalarem.


Um ponto importante para a adequada compreensão das escolhas de parceiros sexuais pelos animais é a importância da transmissão dos genes para as gerações seguintes. Ao longo da evolução, os indivíduos que maximizam seu sucesso reprodutivo, ou seja, aqueles que são mais eficientes em perpetuar seu patrimônio genético, têm maior probabilidade de ser selecionados positivamente. Em outras palavras, dentro da mesma espécie há indivíduos mais ou menos eficientes em passar seus genes adiante: os primeiros terão maior probabilidade de estar geneticamente bem representados nas gerações futuras. Por essa razão é comum que os machos de uma mesma espécie estejam em constante conflito, já que todos tentarão tirar o melhor proveito possível das fêmeas, no momento da reprodução (como uma maneira de passar seus genes às gerações futuras).




Fonte: Revista Ciência Hoje nº 235 - março/2007

Foto: Eileen Hebets/Univ. de Nebraska/Estados Unidos