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02/07/2008 - A vida sobre oito patas



Existem cerca de 35 mil espécies de aranhas espalhadas pelo mundo. Elas estão em florestas, praias, montanhas, desertos e, muitas vezes, bem perto de nós. São aranhas com os mais diversos tamanhos, cores e, claro, venenos também!


Antes de entrar em pânico diante de algum desses seres de oito patas, lembre-se de que são poucas as espécies que causam problemas aos seres humanos e menor ainda o número das que atacam sem terem sido ameaçadas antes. Conheça, agora, o mundo das aranhas e descubra até que ponto é preciso tomar cuidado com elas...


Mas antes que continuemos a falar delas, vamos esclarecer uma dúvida de uma vez por todas: aranhas não são insetos. Ao contrário do que muita gente imagina, as aranhas não pertencem ao mesmo grupo das formigas, dos mosquitos, das baratas e companhia. Nossas protagonistas são aracnídeos, tal como carrapatos e escorpiões. As principais diferenças entre aracnídeos e insetos são o número de patas e de segmentos do corpo. Se você olhar bem de perto uma aranha e uma formiga, vai notar que a aranha tem quatro pares de patas e o corpo dividido em duas partes, enquanto a formiga tem três pares de patas e três segmentos de corpo. Além disso, todos os insetos - inclusive as formigas - têm asas em uma das fases de sua vida, o que não acontece com os aracnídeos. Há outras diferenças um pouco mais difíceis de serem percebidas, como o número de olhos: as aranhas são dotadas de até oito olhos e podem usar alguns durante o dia e outros, à noite.


As aranhas vivem sozinhas em diversos lugares. Podem morar em cima de plantas e objetos ou dentro de um buraco no chão. Os machos, geralmente, são menores que as fêmeas e os casais só se encontram em certa época do ano para reproduzir. Em algumas espécies, os filhotes já partem para uma vida sozinha logo depois de saírem dos ovos!


Comendo de canudinho


Uma das características mais marcantes deste aracnídeo é a sua capacidade de tecer teias. Quem nunca viu, no alto de uma porta, aquele emaranhado de fios que, de tão finos, às vezes enganam nossos olhos? As teias são uma armadilha para capturar insetos, o alimento preferido das aranhas, e se formam da seguinte maneira: alguns órgãos do corpo da aranha soltam uma substância que endurece rapidamente em contato com o ar, tornando-se um fio. Além de usado para construir diferentes teias, esses fios servem para moldar tocas e casulos ou, simplesmente, para que a aranha possa ficar suspensa no ar. As ootecas - isto é, as bolsas onde as aranhas botam seus ovos - também são feitas com esses fios.


Existem outras curiosidades acerca das aranhas. Uma delas é o jeito como comem suas presas. Por só conseguirem consumir líquidos, elas injetam nos insetos capturados por sua teia substâncias que os dissolvem por dentro. Ou seja: o corpo interno das presas vira um líquido que é sugado pela aranha. Para isso, ela usa a força de seu estômago, que atua como uma bomba de puxar água.


Há muitas aranhas, no entanto, que preferem caçar suas presas fora das teias. Essa vida aventuresca é adotada, principalmente, por algumas espécies que não constroem teias. Mas, atenção, nada de pânico! Pelo menos nós, seres humanos, não estamos no cardápio dessas aranhas caçadoras. Os maiores bichos que elas comem são ratos e pássaros. Mesmo assim, só algumas aranhas bem grandes conseguem capturá-los.


Para paralisar os animais que irá comer, a aranha faz uso de seu veneno. É muito raro o uso do veneno para outros fins. Só quando muito ameaçada, a aranha o utiliza para se defender. Por isso, elas não são tão perigosas quanto se acredita. De todas as espécies existentes, menos de 100 têm veneno muito forte - e isso não tem nada a ver com o seu tamanho. No Brasil, venenos assim só existem em 14 espécies de três grupos diferentes: aranhas-marrons, aranhas-armadeiras e viúvas-negras.


As mais venenosas


As aranhas-marrons são tão pequenas que nem parecem possuir um veneno tão forte. Seu corpo, cuja cor varia entre marrom-amarelado e castanho, não passa de três centímetros de comprimento, contando as patas. Elas gostam de esconderijos secos, quentes e escuros, como cascas de árvores e entulhos. Dentro de casa, podem se meter em cantos de paredes e atrás de móveis. Suas teias são em forma de lençol e servem apenas para abrigá-las. Elas só injetam seu veneno em seres humanos em casos extremos, quando, por exemplo, são prensadas contra o nosso corpo. Sua picada não dói de imediato: a ardência só vem depois de algumas horas, seguida de inchaço e vermelhidão. Em poucos dias, surge uma ferida que demora até dois meses para cicatrizar. Pessoas mais sensíveis podem sofrer com febre, náuseas e vômitos. A maior parte desses efeitos pode ser evitada indo rapidamente ao médico e tomando o soro contra o veneno.


As aranhas-armadeiras, ao contrário das marrons, são grandes - têm até 15 centímetros de comprimento, contando as patas - e agressivas. Por isso, são responsáveis por mais da metade dos casos de picadas de aranha registrados no Brasil. Elas possuem um ferrão avermelhado com o qual saem à noite para caçar. Às vezes, se escondem dentro de botas e sapatos, gerando muitas picadas que, na maior parte das vezes, causam só uma dor forte.


As aranhas mais temidas pertencem ao grupo das viúvas-negras. O nome surgiu por causa do estranho comportamento de suas fêmeas: elas devoram o macho logo após o ato de reprodução. O veneno desta aranha causa contrações nos músculos, suor em excesso, alterações na batida do coração, problemas nos rins e, às vezes, leva à morte. Mas um ataque de viúva-negra é muito raro. Ela não pica um homem sem ter sido perturbada antes. A fêmea tem em torno de três centímetros de comprimento e o macho é tão pequeno que sequer consegue injetar seu veneno. Elas estão presentes em todo o Brasil, de Norte a Sul. Tal como as aranhas-marrons, gostam de viver em cantos escuros, secos e quentes.


Assim, com a exceção da aranha-armadeira - dessa aí já vimos que é bom manter distância -, as outras aranhas brasileiras com veneno forte só atacam se forem ameaçadas. E no caso de um ataque, saiba que existem soros anti-aranha. Portanto, não há porquê ter medo. Respeitando as aranhas, elas também respeita respeitarão você!




Fonte: Ciência Hoje das Crianças